Os Estados Unidos deportaram para Cuba a ex-juíza Melody González Pedraza, apontada por ter proferido condenações contra manifestantes antigovernamentais e opositores na ilha, informou o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) à EFE.
Um porta-voz da agência federal
confirmou que González Pedraza foi enviada de volta a Cuba na última
quinta-feira, em voo de deportação que partiu de Alexandria, na Louisiana.
“González Pedraza foi declarada inadmissível
devido à sua filiação ao Partido Comunista de Cuba enquanto exercia a função de
juíza”, acrescentou o porta-voz.
O caso integra esforços do exílio
cubano em Miami, que denuncia ex-funcionários implicados em violações de
direitos humanos que tentam buscar refúgio nos Estados Unidos.
A ex-juíza havia chegado a Tampa,
na costa oeste da Flórida, em 2024, sob o ‘parole’ humanitário, um tipo de alívio migratório, segundo
o Miami Herald. No entanto,
foi impedida de entrar no país devido ao seu histórico como juíza na província
cubana de Villa Clara, onde
condenou opositores políticos.
Na ocasião, González Pedraza
solicitou asilo, mas o
pedido foi negado em maio, com uma ordem final de deportação emitida em 30 de
maio, detalhou o ICE. Durante todo o processo, ela permaneceu sob custódia da
agência.
Recorde de presos políticos em
Cuba
Segundo o relatório da ONG Prisoners Defenders, apresentado em
setembro, Cuba contabiliza atualmente 1.185 presos políticos.
As estatísticas apontam
crescimento alarmante: “Apesar do número altíssimo de presos políticos, as
liberações não compensam a entrada de novos detidos a cada mês”, afirmou Javier Larrondo, presidente da ONG.
Ele destacou que, nos últimos dois anos, a maioria dos detidos são cidadãos comuns, e não políticos ou
ativistas, simplesmente protestando pacificamente.
Em agosto, a ONG registrou 13 novos casos de prisões políticas,
elevando para 1.735 o total de
cidadãos inocentes presos desde julho de 2021. Entre eles, 33 são menores de idade, sendo 30
cumprindo sentença e três em processos sem tutela judicial. Além disso, 122 mulheres ainda cumprem condenações
políticas.
Somente quatro pessoas foram
retiradas do registro de presos políticos em agosto: três cumpriram suas penas
e Aymara Nieto Muñoz foi
excarcerada após aceitar o desterro forçado para a República Dominicana.
Larrondo relatou que Nieto Muñoz foi levada diretamente de uma prisão de trabalhos forçados até o aeroporto,
sem poder se despedir de familiares, deixando a filha maior para trás.
O relatório da ONG reforça que
a represália em Cuba não distingue
cidadãos comuns, manifestantes ou ativistas, e que a principal razão
usada pelas autoridades para prender milhares de pessoas anualmente é o exercício de direitos reconhecidos
internacionalmente.
Com informações da EFE

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