Objetivo do grupo era matá-lo para que não pudesse identificar autores dos disparos
Rio - O paciente Lucas Fernandes
de Souza, 31 anos, alvo de criminosos que invadiram o Hospital Pedro II, em
Santa Cruz, na madrugada desta quinta-feira (18), estava internado na unidade
após sofrer um atentado. Segundo a Polícia Civil, o objetivo do grupo era
matá-lo, para que ele não pudesse identificar os autores dos disparos. No
início da tarde, a Polícia Militar iniciou uma operação na região em busca dos
envolvidos.
A motivação do ataque ainda não
foi esclarecida. Investigações apuram se teria relação com a disputa de
território envolvendo a milícia que atua no bairro. Lucas não estava preso sob
custódia.
Em coletiva de imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), os
secretários de Segurança, Victor do Santos, de Polícia Militar, Marcelo de
Menezes, e de Polícia Civil, Felipe Curi, informaram que um dos bandidos que
atiraram na vítima e comandou a invasão já foi identificado. O suspeito, que
não teve o nome divulgado, tem passagem pela polícia por envolvimento com a
milícia.
"O miliciano que foi identificado participou da emboscada anteriormente.
Ele seria o autor dos disparos na e voltou ao hospital para poder terminar a
execução. A investigação vai poder dizer se a vítima presenciou outros crimes
ou talvez se queriam matá-lo por ele poder identificar quem foi o autor do
disparo contra ele", disse Vitor dos Santos.
Na ocasião, os criminosos renderam os seguranças na garagem e foram diretamente
para o centro cirúrgico, mas não encontraram Lucas, pois ele já havia sido
liberado e estava na enfermaria. Um deles usava um colete à prova de balas da
Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais
(Draco).
"Nós não sabemos se ele era o criminoso que usava esse uniforme da Draco.
Esse autor dos disparos naquela vítima que estava no hospital, esse já foi
identificado. Em 2019, ele foi preso pela Polícia Civil por envolvimento com a
milícia. A investigação está a cargo da 36ªDP com o apoio da Draco",
afirmou Santos.
O prefeito Eduardo Paes, que
esteve no Hospital do Andaraí na manhã desta quinta, frisou a importância de
mais segurança nos hospitais.
"Graças a Deus não houve
maiores consequências, eles também não conseguiram encontrar lá quem eles
estavam buscando. E a transferência foi feita, agora, é óbvio, que a gente
primeiro confia na Polícia Militar e na Polícia Civil para identificar quem são
esses personagens, quem são esses criminosos e punir essa gente, fazer eles
responderem por esse crime, mas também precisamos chamar a atenção para mais
segurança nos hospitais, a gente tem que fazer o básico para o hospital não
enfrentar invasão de homens armados", disse.
Por fim, Paes reforçou que as
forças policiais precisam agir de forma direta contra esses criminosos.
"Temos que entender que eles não podem fazer o que fizeram, não podem
invadir uma unidade de saúde com petulância, arrogância e um certo sentimento
de impunidade. É preciso aprender que, quando cometem crimes, eles vão pagar
por isso", finalizou.
Segundo o secretário de Saúde,
Daniel Soranz, por segurança, o paciente terá mudança de nome no sistema.
"A gente fez uma
transferência desse paciente para outra unidade, ele vai receber uma alteração
do seu nome e vai ser transferido novamente para que ninguém saiba onde ele
está dentro do sistema. Então, ele parou primeiro numa unidade e vai mudar de
unidade com outro nome, com outra identificação para que ele não possa ser
localizado pelos bandidos", explicou.
Segurança nas unidades
Em relação a segurança, Soranz
ressaltou que esse é um problema crítico na cidade que vem afetando a rede
municipal de saúde. "É uma situação que de fato mobilizou muitos
profissionais de saúde, a equipe do hospital está completamente abalada com o
que aconteceu. E a gente espera que isso não aconteça. Só esse ano, 516 vezes,
uma unidade de saúde precisou ser fechada por um conflito armado ou por uma
questão de segurança. A situação vem aumentando numa velocidade muito grande na
cidade do Rio de Janeiro", relatou.
Sobre o policiamento na porta das unidades, ele frisou que
falta agentes na rede municipal. "A gente sempre teve uma
viatura policial em cada unidade com um plantão 24 horas. Há quatro anos isso
foi desmobilizado e a situação vem piorando e ficando cada vez mais crítica
para manter o sistema de saúde funcionando sem uma política de segurança
estruturada."
A declaração de Soranz, no
entanto, foi contestada pelo secretário de Segurança Pública do Rio, Victor
Santos.
"Esse número não corresponde
à realidade. O secretário Soranz está mentindo. Ele é mentiroso! Isso não
condiz com a verdade. Não existe esse número de ocorrências. Se a gente for
apurar, não tem nem de 20% de ocorrências registradas. O secretário tem meu
telefone, tenho certeza que tem o telefone de todos os secretários, e ele não
fez nenhuma ligação para pedir esse tipo de apoio. Consideramos isso uma
irresponsabilidade, porque esse tipo de declaração é que gera insegurança e medo
na população. A Segurança Pública está aqui para atender. Existe um policial
militar em cada unidade hospitalar do estado, do município, exatamente para
isso", frisou.
Em nota, a Polícia Civil informou
que ao tomar conhecimento do caso, a autoridade policial da 36ª DP (Santa Cruz)
imediatamente instaurou um inquérito para apurar invasão. Agentes da unidade
realizam diligências neste momento para identificar e capturar os criminosos.
O Dia

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