9/19/2025

Justiça do Rio unifica três processos contra Oruam

Oruam se entregou à Polícia Civil no dia 22 de julho. 
Érica Martin/Agência O Dia

Rapper, que está preso, e outros três acusados respondem por tentativa de homicídio, ameaça e dano ao patrimônio público

Rio – O juízo da 3ª Vara Criminal da Capital unificou os três processos que correm no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) contra Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, e outros três acusados. A decisão atende a um aditamento - ou seja, uma atualização a partir de novas descobertas - na denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Com a decisão, Oruam, Willyam Matheus Vianna, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos se tornaram réus e vão responder por tentativa de homicídio qualificado, ameaça e danos ao patrimônio público – até então, os últimos dois vinham tramitando na 27ª Vara Criminal.

De acordo com a queixa do MPRJ, Oruam, Willyam, Pablo e Victor estavam no grupo responsável por, em 21 de julho, atacar a pedradas equipes da Polícia Civil que estavam em frente à casa do cantor, no Joá, Zona Sudoeste* do Rio, para cumprir mandado de busca e apreensão contra um adolescente abrigado na residência.

Ainda segundo a denúncia, pedras de até 4,85 kg, capazes de “causar lesões letais imediatas”, foram arremessadas no policial Alexandre Alvez Ferraz, que chegou a se ferir, e no delegado Moyses Santana Gomes. Eles também tentaram impedir a ação policial com ofensas verbais, ameaças de morte e agressões físicas, além de terem causado avarias nas viaturas descaracterizada usadas pelos agentes.

“Convém observar que as vítimas estavam desprovidas de capacete, colete e equipamentos de segurança, o que ingressou na esfera de conhecimento dos acusados durante a ação criminosa, contribuindo para o agravamento do risco”, diz a decisão de unificação.

Além disso, a juíza Tula Correa de Mello negou os pedidos de relaxamento de prisão feitos pelas defesas de Willyam Matheus e Pablo Ricardo. A magistrada ainda manteve a prisão preventiva de Oruam e determinou a aplicação de medidas cautelares a Victor Hugo.

“Considerando a possibilidade de fuga para área dominada por facção criminosa armada com altíssimo poderio bélico, impõe ser resguardada a garantia da aplicação da lei penal e a instrução criminal, diante da postura desafiadora imprimida pelos denunciados e seus comparsas. Assim, indefiro os requerimentos de liberdade dos denunciados e, consequentemente, mantenho a prisão preventiva dos acusados”, decretou.

Prisão

Oruam foi preso preventivamente em 22 de julho, dia seguinte ao ataque aos policiais. Depois da confusão generalizada, o cantor teria se refugiado no Complexo da Penha, na Zona Norte, mas acabou se entregando.

Ele também responde a acusações por tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, lesão corporal e desacato. Recentemente, foi denunciado por corrupção ativa e por dirigir de forma perigosa com a habilitação suspensa.

O rapper é filho do traficante Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho (CV), preso desde 1996.
A reportagem tenta contato com a defesa dos denunciados. O espaço segue à disposição.

O Dia

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