Câmara resgata trecho que trata do voto secreto para autorizar abertura de processo criminal no texto da PEC da Blindagem. Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Plano foi traçado nas primeiras
horas desta quarta-feira (17) e o martelo foi batido após reunião de Cláudio
Cajado (PP-BA), relator da proposta, com o presidente da Casa
Em uma manobra costurada pelo
presidente da Câmara
dos Deputados, Hugo
Motta (Republicanos-PB), com líderes do Centrão para driblar
uma pontual derrota, a Casa resgatou um trecho que trata do voto secreto em
análises para autorizar abertura de processo criminal no texto da proposta de
emenda à Constituição (PEC) da Blindagem. O voto secreto voltou a ser regra
prevista na PEC com voto favorável de 314 deputados e contrário de 168.
O plano foi montado na manhã
desta quarta-feira (17), após o revés no dia anterior, quando faltaram 12 votos
para manter o recurso, que também seria válido no caso de autorização de prisão
de deputados federais e senadores. A sessão ainda foi marcada por uma
“cutucada” de Motta ao líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).
O petista afirmou que iria recorrer judicialmente no Supremo Tribunal
Federal (STF) caso o Centrão saísse triunfante da votação nesta
quarta.
Motta respondeu. “É um direito de
Vossa Excelência ir ao Supremo como Vossa Excelência faz quase que
diariamente”, afirmou. É um reflexo do descontentamento do Centrão ao apoio
apático que o governo deu à PEC. O PT orientou voto contrário, o governo não
quis se posicionar e apenas 12 petistas votaram a favor da proposta. Como
mostrou o Estadão, o Centrão ofereceu ao PT um acordo: a Câmara
aprova a PEC da Blindagem – em troca, partidos do grupo ofereceram apoio aos
petistas para derrotar o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
no plenário da Câmara.
O plano de resgatar o voto
secreto no texto da PEC já foi traçado nas primeiras horas da quarta-feira e o
martelo foi batido após reunião do relator com Motta ainda pela manhã. Ali, foi
definido que resgatariam o trecho, ainda que governistas e contrários à
propostas aleguem que seria ilegal votar uma reinserção do dispositivo no texto
após ser derrotado.
“A votação do voto secreto ontem
não refletiu o espírito do plenário”, disse Cláudio Cajado (PP-BA), relator da
proposta, na manhã desta quarta. Foi Cajado quem apresentou o requerimento para
trazer de volta o voto secreto. Chancelaram a decisão dele no requerimento os
líderes Doutor Luizinho (RJ), do PP; Pedro Lucas Fernandes (MA), do União;
Gilberto Abramo (MG), do Republicanos; Isnaldo Bulhões Jr. (AL), do MDB;
Sóstenes Cavalcante (RJ), do PL; Adolfo Viana (BA), do PSDB; Luís Tibé (MG), do
Avante; e Rodrigo Gambale (SP), do Podemos.
Bolsonaristas apoiam a PEC e até
dizem que o texto ainda não é o suficiente. “O que nós queríamos com esse
resgate das nossas prerrogativas é que o Parlamento fosse respeitado e que
fosse colocado na PEC que nossas palavras e opiniões, em qualquer meio, não
podem ser violados. É um texto muito aquém. Mas pelo menos já nos garante
minimamente as nossas prerrogativas”, afirmou Bia Kicis (PL-DF).
Segundo oposicionistas, aprovar
essa PEC significa cumprir parte do acordo para assegurar a votação da anistia
aos envolvidos no 8 de Janeiro, de modo a tentar salvar Bolsonaro da condenação
de 27 anos de prisão determinada pelo STF. Os líderes partidários da Câmara
deverão se reunir esta tarde para discutir a anistia e traçar um prognóstico
para uma eventual votação.
A PEC resgata a “licença prévia”
(mecanismo que estava disposto na Constituição de 1988, e posteriormente
retirada após a aprovação de uma PEC em 2001), dispositivo que dava à Câmara ao
Senado Federal a possibilidade de barrar a abertura de processo criminal contra
um de seus integrantes.
Antes de 2001, para poder abrir
um processo criminal, o STF precisava pedir à respectiva Casa um pedido de
licença para seguir com o caso. O Estadão mostrou em agosto
que Câmara e Senado barraram
pelo menos 224 pedidos de licença prévia feitos pelo STF para processar
criminalmente congressistas até 2001. Nenhum pedido avançou.
JP

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