As manobras militares que serão realizadas nesta semana em frente às costas da Coreia do Sul aumentaram a tensão na península coreana. Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, classificou os exercícios conjuntos entre Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul como uma “imprudente demonstração de força” que, segundo ela, trará “maus resultados” para os países participantes, conforme divulgaram neste domingo (14) os meios estatais norte-coreanos.
As atividades militares, que
começam nesta segunda-feira (15) e seguem até sexta (19), ocorrerão nas
proximidades da ilha sul-coreana de Jeju. O objetivo, segundo os
aliados, é reforçar a preparação frente às ameaças da Coreia do Norte, que
possui arsenal nuclear.
De acordo com informações
do Exército sul-coreano, publicadas pelo The Korea Times,
os aliados realizarão exercícios aéreos, navais e de defesa antimísseis no
âmbito da operação “Freedom Edge”. O foco é ampliar a
interoperabilidade e a capacidade de resposta conjunta a eventuais lançamentos
de mísseis ou outras ameaças nucleares. Além disso, Coreia do Sul e Estados
Unidos — que mantêm cerca de 28,5 mil soldados em território sul-coreano —
também planejam um simulado adicional, batizado de “Iron Mace”,
voltado à integração de recursos militares convencionais e nucleares.
A reação de Pyongyang foi
imediata. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Kim
Yo-jong afirmou: “A imprudente demonstração de força que vocês
(aliados) realizaram com ações reais nas proximidades da RPDC (sigla oficial da
Coreia do Norte), que é o lugar errado, inevitavelmente lhes trará maus
resultados”. Ela ainda classificou a cooperação militar trilateral como uma
“ideia perigosa”.
A posição foi reforçada por Pak
Jong Chon, alto dirigente do partido governista norte-coreano, que advertiu
que, caso as “forças hostis” insistam em exibir seu poderio militar por meio de
exercícios conjuntos, o país responderá com medidas “mais decididas e
contundentes”.
Historicamente, a Coreia do Norte
rejeita as manobras conjuntas entre os aliados, argumentando que se tratam de
ensaios para uma possível invasão. Já Seul e Washington sustentam
que os exercícios têm caráter puramente defensivo.
As advertências de Kim Yo-jong
ocorrem em um momento de intensificação da atividade militar no Norte. Na
última semana, Kim Jong-un visitou instalações de pesquisa
bélica e reiterou que Pyongyang continuará a fortalecer tanto seu arsenal
nuclear quanto suas forças armadas convencionais. Desde o fracasso da cúpula
sobre desnuclearização com os EUA, em 2019, a Coreia do Norte se declarou um Estado
nuclear “irreversível” e reitera que não abrirá mão de seu arsenal atômico.
O cenário internacional amplia a
complexidade da crise. O apoio estratégico da Rússia ao regime
de Kim Jong-un tornou-se mais evidente desde o início da guerra na Ucrânia.
De acordo com a mídia estatal, milhares de soldados norte-coreanos foram
enviados para apoiar Moscou, e, no ano passado, os dois países assinaram um
pacto de defesa mútua durante a visita do presidente russo, Vladimir
Putin, a Pyongyang.
Com informações de AFP e EP

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!