9/15/2025

Ditadura da Coreia do Norte ameaça EUA, Japão e Coreia do Sul por manobras militares: “Lhes trará maus resultados”


As manobras militares que serão realizadas nesta semana em frente às costas da Coreia do Sul aumentaram a tensão na península coreana. Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, classificou os exercícios conjuntos entre Estados UnidosJapão e Coreia do Sul como uma “imprudente demonstração de força” que, segundo ela, trará “maus resultados” para os países participantes, conforme divulgaram neste domingo (14) os meios estatais norte-coreanos.

As atividades militares, que começam nesta segunda-feira (15) e seguem até sexta (19), ocorrerão nas proximidades da ilha sul-coreana de Jeju. O objetivo, segundo os aliados, é reforçar a preparação frente às ameaças da Coreia do Norte, que possui arsenal nuclear.

De acordo com informações do Exército sul-coreano, publicadas pelo The Korea Times, os aliados realizarão exercícios aéreos, navais e de defesa antimísseis no âmbito da operação “Freedom Edge”. O foco é ampliar a interoperabilidade e a capacidade de resposta conjunta a eventuais lançamentos de mísseis ou outras ameaças nucleares. Além disso, Coreia do Sul e Estados Unidos — que mantêm cerca de 28,5 mil soldados em território sul-coreano — também planejam um simulado adicional, batizado de “Iron Mace”, voltado à integração de recursos militares convencionais e nucleares.

A reação de Pyongyang foi imediata. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Kim Yo-jong afirmou: “A imprudente demonstração de força que vocês (aliados) realizaram com ações reais nas proximidades da RPDC (sigla oficial da Coreia do Norte), que é o lugar errado, inevitavelmente lhes trará maus resultados”. Ela ainda classificou a cooperação militar trilateral como uma “ideia perigosa”.

A posição foi reforçada por Pak Jong Chon, alto dirigente do partido governista norte-coreano, que advertiu que, caso as “forças hostis” insistam em exibir seu poderio militar por meio de exercícios conjuntos, o país responderá com medidas “mais decididas e contundentes”.

Historicamente, a Coreia do Norte rejeita as manobras conjuntas entre os aliados, argumentando que se tratam de ensaios para uma possível invasão. Já Seul e Washington sustentam que os exercícios têm caráter puramente defensivo.

As advertências de Kim Yo-jong ocorrem em um momento de intensificação da atividade militar no Norte. Na última semana, Kim Jong-un visitou instalações de pesquisa bélica e reiterou que Pyongyang continuará a fortalecer tanto seu arsenal nuclear quanto suas forças armadas convencionais. Desde o fracasso da cúpula sobre desnuclearização com os EUA, em 2019, a Coreia do Norte se declarou um Estado nuclear “irreversível” e reitera que não abrirá mão de seu arsenal atômico.

O cenário internacional amplia a complexidade da crise. O apoio estratégico da Rússia ao regime de Kim Jong-un tornou-se mais evidente desde o início da guerra na Ucrânia. De acordo com a mídia estatal, milhares de soldados norte-coreanos foram enviados para apoiar Moscou, e, no ano passado, os dois países assinaram um pacto de defesa mútua durante a visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Pyongyang.

Com informações de AFP e EP

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