Segundo investigações,
parlamentar usa o mandato para favorecer o crime organizado, intermediando
compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones
Rio - O deputado estadual Thiego
Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, (MDB), foi preso, na manhã desta
quarta-feira (3), na Barra da Tijuca, Zona Oeste, em uma operação conjunta da
Polícia Civil, Polícia Federal e do Ministério Público do Rio (MRPJ). De acordo
com as investigações, o parlamentar utiliza seu mandato para favorecer o crime
organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos
antidrones destinado a comunidades controladas pelo Comando Vermelho (CV).
Thiego foi alvo de duas operações
que ocorreram simultaneamente. Ao todo, foram 18 mandados de prisão e 22 de
busca e apreensão, expedidos pela Justiça Estadual e Federal. As ações
terminaram com 15 presos.
Entre os alvos da Operação
Bandeirantes estavam narcoterroristas, um assessor parlamentar e a mulher de um
traficante, lotada em cargo parlamentar por indicação do deputado. Para esta
ação, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) expediu quatro mandados de
prisão e cinco de busca e apreensão. Além da Barra da Tijuca, as equipes atuam
na Freguesia, ainda na Zona Oeste, e em Copacabana, na Zona Sul.
Segundo a Policia Civil, houve
movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas ligadas a Thiego, com
alertas sucessivos emitidos por instituições financeiras, reforçando a prática
de lavagem de dinheiro. O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi,
destacou a gravidade do caso.
"Estamos diante de uma investigação que comprova a infiltração direta do
crime organizado dentro do parlamento fluminense. O deputado eleito para
representar a sociedade colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa
do Rio de Janeiro. A 'Operação Bandeirante' é mais uma demonstração de que não
haverá blindagem política para criminosos: seja traficante armado na favela ou
de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma", disse.
A corporação destacou que, com as
provas reunidas, a operação evidencia o papel central do deputado na
articulação criminosa, consolidando uma ligação direta com o CV e sua atuação
para expandir os interesses da facção.
Denúncia
A Procuradoria-Geral de Justiça
do MPRJ denunciou Thiego e outras quatro pessoas por associação para o tráfico
de drogas e comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito.
De acordo com a denúncia, os
acusados mantinham vínculos estáveis com o Comando Vermelho, atuando nos
Complexos da Maré, do Alemão e na comunidade de Parada de Lucas, todos na Zona
Norte. O grupo é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, armas e
equipamentos antidrones utilizados para dificultar operações policiais nos
territórios ocupados pela facção.
Para o MPRJ, TH Joias usou o seu
mandato para favorecer a organização criminosa, inclusive nomeando comparsas
para cargos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). Ainda segundo a
denúncia, o deputado é acusado de intermediar diretamente o comércio de
entorpecentes e de armas, realizando pagamentos a integrantes do CV.
Outro denunciado é apontado como
uma das lideranças da facção, responsável pelo controle financeiro e pela
autorização de pagamentos vultosos, incluindo a autorização para a compra dos
antidrones.
Um terceiro denunciado exercia a
função de tesoureiro, encarregado de armazenar drogas, guardar valores
milionários, efetuar pagamentos e intermediar negociações de armas e munições.
Um quarto denunciado atuava como
fornecedor de equipamentos especializados à facção, em especial os dispositivos
antidrones. Ele também era responsável pelos testes em campo e ensinava outros
membros da facção a operá-los. De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça,
paralelamente, o acusado ocupava o cargo de assessor parlamentar, indicado pelo
deputado, como forma de encobrir as atividades ilícitas.
Ainda segundo a denúncia
apresentada à Justiça, a quinta acusada havia sido nomeada para um cargo
comissionado na Alerj e sua função era servir de elo entre o grupo e o
Legislativo. A assessora contribuía para acobertar o papel desempenhado pelo
tesoureiro, com quem é casada.
Questionada, Alerj informou que
tomou conhecimento nesta quarta da expedição de mandados de busca e
apreensão em face do deputado, cumpridos em seu gabinete. A Casa informou que
as diligências foram acompanhadas pela Procuradoria Legislativa, que prestou
apoio às autoridades competentes.
Em nota, o deputado
Rosenverg Reis, primeiro secretário da Alerj, líder do MDB na Casa e primeiro
secretário da executiva do MDB-RJ, ratificou a expulsão imediata de TH Joias do
partido por condutas incompatíveis para o exercício de função pública.
A liderança enfatizou ainda que o deputado já não seguia as orientações do
partido em votações na Alerj e que deve responder à Justiça por seus atos fora
da Casa.
"A liderança não compactua com ilegalidades, repudia conduta criminosa, e
confia na Justiça", disse Reis.
A reportagem tenta localizar a
defesa de Thiego. Segundo sua assessoria, não haverá posicionamento no momento
por orientação jurídica.
Operação Zargun
A Polícia Federal também
realizou, nesta quarta-feira (3), a Operação Zargun, com objetivo de
desarticular uma organização ligada à cúpula do Comando Vermelho, especializada
no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e
lavagem de capitais. O deputado estadual também foi alvo dessa ação.
Segundo a PF, as investigações
identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança do CV no Complexo
do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF,
policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e o deputado
estadual.
Ainda de acordo com a PF, a
organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e
acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e
equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais.
O Tribunal Regional Federal da 2ª
Região determinou o sequestro de bens e valores dos investigados, totalizando
R$ 40 milhões, além do afastamento de agentes públicos, suspensão de atividades
de empresas utilizadas para lavagem de dinheiro e transferência emergencial de
lideranças da facção para presídios federais de segurança máxima.
Os investigados poderão responder
pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas,
corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
O Dia

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