O advogado Paulo da Cunha Bueno, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta-feira (3) que uma eventual condenação do ex-chefe do Executivo por suposta tentativa de golpe de Estado seria comparável à “legislação soviética” e remeteria ao “caso Dreyfus”, episódio judicial do fim do século XIX na França marcado por erros processuais e perseguição antissemita.
As declarações foram feitas
durante a sessão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que
julga Bolsonaro e outros sete réus acusados de participação em um plano para
impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Argumentos da defesa
Segundo Cunha Bueno, não há
elementos que caracterizem um crime de execução. Para ele, discutir a
elaboração de um decreto de “garantia da lei e da ordem” não pode ser
considerado uma tentativa de golpe.
“Ainda que se aceite presumir a
existência de uma minuta de decreto em estudo, sem assinatura, sem
apresentação, sem sequer a conclusão do texto, nem saímos do âmbito da mera preparação,
nem temos efetivo emprego de ato violento conforme exigido pelos tipos penais”,
afirmou o advogado.
Ele acrescentou que “punir
Bolsonaro por atos preparatórios seria aplicar uma legislação aos moldes do
Estado soviético”.
A defesa também destacou que
Bolsonaro colaborou com a transição de governo, chegando a auxiliar diretamente
o então futuro ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, nas
tratativas com os comandos militares.
A referência ao caso Dreyfus
O paralelo estabelecido pela
defesa remete ao julgamento do capitão Alfred Dreyfus (1859-1935),
oficial francês acusado em 1894 de repassar segredos militares à Alemanha.
Condenado com base em provas frágeis e em um dossiê secreto não compartilhado
com a defesa, Dreyfus foi deportado para a Ilha do Diabo, na Guiana
Francesa.
O processo foi posteriormente
marcado pela revelação de documentos forjados, denúncias de antissemitismo e
forte pressão política. O escritor Émile Zola impulsionou o
debate público ao publicar o célebre artigo “J’Accuse…!” em
1898, denunciando fraudes e abusos.
Após anos de disputa judicial,
a Corte de Cassação da França anulou definitivamente a
condenação em 1906, reabilitando Dreyfus, que foi reintegrado ao Exército. O
episódio tornou-se símbolo de erros judiciais e perseguições políticas.
Julgamento em andamento
No STF, Cunha Bueno dividiu a
sustentação oral com o advogado Celso Vilardi. Ambos tiveram uma
hora para apresentar os argumentos de defesa. Enquanto Vilardi abordou pontos
processuais, Cunha Bueno concentrou-se na tese de que não houve ato executivo
de golpe de Estado.
Bolsonaro e outros sete réus
aguardam o desfecho do julgamento, que poderá definir se serão
responsabilizados criminalmente pelas ações atribuídas ao grupo.
Gazeta Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!