‘Tudo o que foi feito baseou-se em provas,
evidências exibidas publicamente’, salientou o presidente do STF, citando a
existência de um plano para assassinar Lula e o ministro Alexandre de Moraes
O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Luís
Roberto Barroso, disse que “é injusto punir ministros que, com coragem
e independência, cumpriram o seu papel”. Ele se refere às sanções impostas
pelos EUA em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),
concluído na semana passada. O ministro fez um breve pronunciamento no início
da sessão plenária desta quarta-feira (17), a primeira após a condenação de
Bolsonaro e outros sete réus.
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“É simplesmente injusto punir o
país, seus trabalhadores e suas empresas por uma decisão amplamente baseada em
provas, comprometendo suas empresas e seus trabalhadores. Também é injusto
punir ministros que, com coragem e independência, cumpriram o seu papel. No
Brasil, a quase totalidade da sociedade reconhece que houve uma tentativa de
golpe e que é importante julgar seus responsáveis”, afirmou Barroso.![]()
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O ministro rebateu as alegações
de que o Supremo conduza uma “caça às bruxas” a Bolsonaro e à direita, em
referência à justificativa do governo dos EUA para impor uma sobretaxa de 50%
sobre importações brasileiras. “Nenhuma decisão do Supremo Tribunal Federal
brasileiro tem pretensão de alcance extraterritorial. Nós só cuidamos do nosso
jardim. Mas, sobretudo, não existe caça às bruxas ou perseguições políticas.
Tudo o que foi feito baseou-se em provas, evidências exibidas publicamente”,
salientou, citando a existência de um plano para assassinar o presidente da
República e o ministro Alexandre de Moraes, a minuta golpista e um discurso
pós-golpe preparado para Bolsonaro.
Também negou que haja censura no
Brasil e destacou que “vigora a mais plena liberdade de expressão” no país. “Eu
sou uma pessoa que leio de tudo. E recebo diariamente, de veículos de imprensa
e de blogs, as críticas mais ácidas ao governo, ao Congresso e, sobretudo, ao
Supremo Tribunal Federal. Muitas delas grosseiras e ofensivas. Todos esses
veículos continuam no ar, sem qualquer abalo. Lê quem quer, acredita quem
quer”, disse.
O ministro começou sua fala
exaltando suas ligações pessoais e acadêmicas com os EUA. “Como é público e
notório, e vivi, estudei e trabalhei nos Estados Unidos em épocas diferentes da
minha vida. Na adolescência, fiz intercâmbio em Michigan com uma adorável
família de quem sou amigo até hoje. Gente simples, tradicional, conservadora.
Eu julgo as pessoas pelo caráter, não pela ideologia”, disse Barroso, citando
também seu mestrado na Universidade de Yale, um trabalho em Washington, um
pós-doutorado na Universidade de Harvard e sua atuação como professor na Kennedy
School desde 2018.
“Faço essa breve descrição para
deixar documentado que todos os meus sentimentos em relação ao país são bons:
tenho ligações acadêmicas lá, tenho amigos queridos, admiro pessoas e
instituições”, disse.

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