O advogado Eli Cohen, um dos responsáveis por revelar o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmou nesta segunda-feira (1º) que procurou a imprensa para expor o caso porque não obteve resposta das autoridades após protocolar uma notícia-crime. A declaração foi dada durante seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Cohen revelou ter reunido uma
série de documentos, registros e mensagens que mostravam o uso irregular de
dados pessoais de aposentados e a participação de entidades e empresas privadas
no esquema. Ele contou que, em 6 de março de 2023, protocolou uma notícia-crime
no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo.
Questionado sobre as providências
tomadas, Cohen disse que a investigação “investigaram um pouco e, de repente,
não passaram mais a investigar”. Segundo ele, após dois meses, ao perceber que
“nada ia acontecer”, procurou um jornalista da revista Veja e, em seguida, um
profissional do portal Metrópoles. “Ele [jornalista do Metrópoles] não tem os
equipamentos e ele não tem o know-how que nós temos ali à disposição. E, aí,
ele me pediu se eu poderia fornecer para ele. E eu falei: ‘Mas é claro!’. E
forneci tudo. Foi graças a ele que se amplificou essa nossa investigação e nós
estamos aqui hoje”, declarou.
Detalhes do esquema
Durante o depoimento, a pedido do
presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), Cohen citou nomes que
supostamente coordenavam o esquema, chefiado pelo empresário Maurício Camisotti
e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Cohen afirmou ter descoberto que
as fraudes começaram em 2005. Ele listou empresas e entidades envolvidas, como
a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que
controlava mais de 500 mil associados e arrecadava cerca de R$ 20 milhões por
mês com descontos fraudulentos. Segundo o advogado, a União dos Aposentados e
Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos
Aposentados e Pensionistas (Cebap) também estariam ligados a Camisotti. Juntas,
as três associações teriam movimentado cerca de R$ 1 bilhão, fraudando quase um
milhão de aposentados e pensionistas.
O advogado também acusou a
Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares
(Contag) e a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) de
conivência com descontos irregulares. Ele disse ainda que, apesar de suspeitar,
não tem provas de que as fraudes tiveram “suporte político” nos poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário.
“É um esquema criminoso empresarial, todo
mundo sabia o que tinha que fazer. (…) A intenção deles era aumentar a
influência deles aqui no Congresso e no INSS”, disse Cohen.
Diante do risco, o relator da
CPMI, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), pediu proteção imediata para o advogado
junto à Polícia Federal. O presidente da comissão, Carlos Viana, afirmou que a
proteção será garantida.
Gazeta Brasil

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