Pais relatam surto de hepatite entre alunos de escola municipal de Caxias | Rio das Ostras Jornal

Pais relatam surto de hepatite entre alunos de escola municipal de Caxias

 Ao menos 23 alunos da Escola Municipal Professora Olga Teixeira de Oliveira teriam apresentado sintomas. Reprodução/Google Maps

Mãe diz que mais de 20 estudantes teriam apresentado sintomas da doença. Atividades no colégio seguem mantidas

Rio - Pais de alunos relatam um surto de hepatite A em uma escola da rede municipal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Desde o início do mês, mais de 20 estudantes teriam apresentado sintomas da doença e a suspeita é de contaminação da água da unidade. Os responsáveis temem pela saúde de outras crianças, já que as atividades na instituição seguem mantidas. 

Os casos aconteceram na Escola Municipal Professora Olga Teixeira de Oliveira, no bairro Parque Lafaiete. Nesta terça-feira (12), a mãe de um aluno diagnosticado com hepatite A e internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Parque Beira-Mar, anexa ao Hospital Municipal Moacyr do Carmo, publicou um vídeo nas redes sociais, alertando outros pais.

Segundo Jéssica Oliveira, mãe de Wallace Pereira da Silva, de 16 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, ele começou a apresentar sintomas como febre, enjoo, vômito, fraqueza, desidratação, tontura, olhos amarelados, urina escura e fezes brancas, no dia 1º de agosto. Após a piora do quadro, o adolescente precisou ser internado na UPA, no último domingo (10), onde o diagnóstico da doença foi confirmado. 

"A gente segue sem previsão de alta, todo dia fazendo exames, é uma situação muito complicada. A gente precisa de uma resposta, de uma solução, porque a gente não pode deixar isso do jeito que está, a gente está falando de vidas, hepatite é uma coisa séria", desabafou Jéssica. Nesta quarta-feira (13), Wallace está em dieta zero e deve passar por uma ressonância. O quadro dele é considerado estável, mas a mãe continua insegura, já que outro filho frequenta a escola. 

"Ele está fraquinho ainda, com medo de morrer, de não voltar para casa, dos irmãos pegarem, pois tudo isso mexe com a cabeça deles. Como sou mãe solo, ele fica preocupado de acontecer o pior se eu pegar. Mas estou tentando ser forte por nós para sair dessa situação logo (...) Preciso que a Prefeitura e a escola resolvam isso para termos segurança para levar nossas crianças para escola", completou Jéssica. 

A mãe de dois outros alunos do colégio disse que, até o momento, não há um número oficial de estudantes que contraíram hepatite. A estimativa é de que ao menos 23 tenham apresentado sintomas, mas a informação ainda não foi confimada pela Prefeitura de Duque de Caxias. Entre eles, Luiz Carlos Junior Lemos da Silva, 16, também do 9º ano, que é autista e tem epilepsia. O estudante está internado na UTI do Hospital Mario Lioni. 

"Ele deu entrada no domingo (10) na emergência e quando foi ontem, ele teve uma piora e veio para a UTI ser monitorado. Começou com um quadro de febre e dor abdominal, urinando escuro e febre alta. Agora, estão investigando, porque a função hepática deu uma piorada e estavam com medo dele ter tido uma encefalopatia hepática. Ele é uma criança bem ativa, mas está o tempo todo assim sem acordar", contou o pai, Luiz Carlos do Carmo da Silva. 

O responsável também se disse frustrado por não considerar a escola um ambiente seguro. "A gente se esforça para dar o melhor para os nossos filhos, achando que ele vai estar em um ambiente seguro e acontece isso. Eu espero que o município tome uma atitude, porque daqui a pouco vai ter um surto e não vai ter mais controle". 

Responsáveis suspeitam de contaminação da água 

Após os sintomas da doença em diversos alunos, os pais passaram a desconfiar que a água da escola está contaminada. A suspeita ocorre por conta da cisterna que abastece a unidade estar abaixo do nível do solo e a poucos metros de uma saída de esgoto aberta. Eles relatam ainda a presença de gatos e ratos no pátio da instituição. Mãe de dois alunos do 6º ano, de 12 e 13 anos, que apresentaram dores abdominais, mas não tiveram hepatite confirmada, Suelen Vasconcelos declarou que a unidade não tem condições para manter as aulas.

"O esgoto a olho nu e a cisterna abaixo do nível do solo, localizada num péssimo lugar. Os ratos andam no pátio, na segunda-feira eu vi e quando olhei, o esgoto aberto. É um descaso total. Atrás da escola tem um valão que está em obra e foi comunicado pelo diretores da escola que pode ter sido algo que rompeu e contaminou a água. O absurdo total é que está tendo aula, o colégio está cheio de criança, caixa suja e eles acham que distribuir água mineral vai resolver. Ainda tem a questão da alimentação, que é feito com a água da escola, que eles dizem que estão fervendo, mas quem garante?".

Em comunicado aos responsáveis e seguindo orientações da Secretaria Municipal de Saúde, a escola informou que vai manter as atividades em seus horários normais, apenas com tempo reduzido do período integral, com exceção daquelas que os pais não tiverem condições de buscar. A instituição ainda adotou medidas preventivas como compra de água mineral, disponibilização de copos descartáveis e orientações sobre higiene e preparo de alimentos. Além disso, a cisterna foi desativada e as caixas estão recebendo água da rua. Confira abaixo. 

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias afirmou que está acompanhando o caso e que "tomou todas as providências necessárias para cuidar das crianças". A pasta informou que a Vigilância Sanitária esteve na escola e que as recomendações feitas pelos profissionais estão sendo seguidas. "A água, cisterna e caixa d'água, é monitorada mensalmente por meio de testes de qualidade, feitos por uma empresa independente e contratada pela Secretaria. Asseguramos que estão lacradas, assim como os bebedouros".

A secretaria ainda destacou que está distribuindo água mineral em copo para alunos e funcionários, além de álcool em gel para higienização. "A alimentação escolar segue rigorosamente os protocolos de higiene e de boas práticas e, no momento de preparo de todas as refeições, está sendo utilizada água mineral. O acesso à cozinha é restrito para garantir a segurança alimentar", completou.

A Águas do Rio enviou uma equipe à escola, nesta terça-feira, para realizar, de forma preventiva, novos testes de potabilidade. Segundo a empresa, a avaliação confirmou a qualidade da água fornecida. A concessionária declarou que "mantém um rigoroso controle de qualidade da água, com aproximadamente 13 mil análises mensais em diversos pontos da rede de distribuição", com resultados disponibilizados mensalmente na fatura. 

A empresa reforçou "a importância da limpeza periódica de cisternas e caixas-d’água para garantir a manutenção da qualidade da água consumida". A Águas do Rio atende os clientes pelo 0800 195 0 195, para ligações gratuitas ou mensagens via WhatsApp.

Hepatite A

De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus da hepatite A tem como principal forma de transmissão o contato oral-fecal e está ligada a condições inadequadas de saneamento básico, higiene pessoal e pelo consumo de água e alimentos contaminados. Pode ocorrer ainda por contato pessoal próximo, como entre pessoas que vivem na mesma residência, em instituições de longa permanência e crianças em creches. As transmissões por perfuração da pele de forma acidental ou transfusão ou contato com sangue são raras.

Os sintomas podem se manifestar inicialmente como fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, podendo ser seguidos de enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia. A presença de urina escura ocorre antes do início da fase onde a pessoa pode ficar com a pele e os olhos amarelados (icterícia). Os sintomas costumam aparecer de 15 a 50 dias após a infecção e duram menos de dois meses.

Ainda segundo a pasta, não há nenhum tratamento específico para hepatite A e é importante evitar a automedicação, já que o uso de medicamentos desnecessários ou que são tóxicos ao fígado podem piorar o quadro. Entretanto, a vacina contra a doença é altamente eficaz e segura, sendo a principal medida de prevenção contra a infecção e, atualmente, faz parte do calendário infantil, no esquema de uma dose aos 15 meses de idade, ou em duas doses, para pessoas acima de 1 ano. Outras informações podem ser conferidas no site do Ministério da Saúde

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