8/18/2025

Netanyahu afirma que só aceitará acordo com Hamas que garanta a libertação de todos os reféns “de uma só vez”

(AFP)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reiterou neste sábado que o país só aceitará um acordo com o Hamas que garanta a libertação de todos os reféns, o desarmamento do grupo, a desmilitarização da Faixa de Gaza e a instauração de um governo alternativo, independente do Hamas e da Autoridade Palestina.

Em comunicado divulgado por sua assessoria, Netanyahu deixou claro que a libertação dos reféns deve ocorrer de forma simultânea. “Israel aceitará um acordo com a condição de que todos os reféns sejam liberados de uma vez e de acordo com nossas condições para o fim da guerra”, afirmou a nota.

O premiê também condicionou qualquer avanço a que o Hamas se desarme, a Faixa de Gaza seja desmilitarizada e seja estabelecida uma administração alternativa. O comunicado ressaltou que essas medidas visam garantir a segurança de Israel e criar as bases para uma convivência pacífica na região.

Enquanto isso, as negociações para um possível cessar-fogo ganharam impulso no Cairo, onde uma delegação do Hamas mantém conversas com mediadores egípcios. Fontes de segurança do Egito disseram à EFE que o objetivo é alcançar um acordo que permita a libertação dos reféns em troca da soltura de presos palestinos em Israel, a suspensão das operações militares do Hamas e o desdobramento temporário de uma força árabe e internacional em Gaza.

Essas conversas representam o primeiro esforço de mediação desde a suspensão das negociações indiretas no Catar, em julho, interrompidas por acusações mútuas entre as partes.

Em paralelo, o Exército israelense anunciou neste domingo o início do deslocamento de residentes palestinos da cidade de Gaza para o sul do enclave. O porta-voz militar Avichay Adraee explicou que, em cumprimento a ordens políticas e como parte dos preparativos militares, serão disponibilizadas tendas e equipamentos de abrigo para a população deslocada.

Os suprimentos, gerenciados pela ONU e organizações internacionais, passarão pelo posto de Kerem Shalom após inspeção pelas autoridades israelenses.

As diferenças dentro de Israel se tornaram evidentes nos últimos dias. O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, alertou Netanyahu sobre o desgaste das forças armadas e a falta de preparo para uma operação de grande escala. Durante uma cerimônia militar, Zamir destacou a importância da coesão entre governo e militares para alcançar a vitória em Gaza, afirmando que “a confiança mútua e a plena cooperação são chaves para o sucesso”.

Por outro lado, aliados mais radicais do premiê consideram a operação insuficiente, pois não prevê a expulsão definitiva dos palestinos nem o controle total da Faixa de Gaza.

Familiares de reféns israelenses temem que a ofensiva terrestre e a ocupação da cidade coloquem em risco a vida de seus entes queridos. A convocação de uma greve geral em Israel, apoiada por dezenas de organizações e universidades, evidencia o crescente descontentamento com a estratégia governamental.

Nas últimas semanas, o governo israelense aprovou a extensão da ofensiva na Faixa de Gaza, ocupando a cidade de Gaza e a zona costeira de Mawasi, o que provocou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.

Enquanto a operação militar avança e as condições para um acordo permanecem inalteradas, Zamir reforçou que o desfecho do conflito dependerá da consolidação da segurança e do futuro de Israel, deixando claro que o fim da campanha segue condicionado aos objetivos estratégicos do governo israelense.

Gazeta Brasil

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