8/29/2025

Megaoperação contra o PCC revela que crime controla mais de 40 fundos de investimento


Uma megaoperação de órgãos de segurança pública realizada na manhã desta quinta-feira (28) investiga um esquema de fraudes no setor de combustíveis que, segundo a Receita Federal, envolve mais de 40 fundos de investimento — multimercado e imobiliários — com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. A ação, chamada Operação Carbono Oculto, mobilizou Polícias Federal, Civil e Militar, além do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), com foco em ativos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Saiba quais empresas financeiras e fundos foram alvos da megaoperação contra o PCC

De acordo com a Receita, os fundos e algumas fintechs foram utilizados como instrumentos de ocultação de patrimônio. Uma dessas fintechs, que atuava como um “banco paralelo” da organização, movimentou R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, sem rastreabilidade.

Empresas e instituições envolvidas

Entre as principais empresas investigadas estão:

  • Grupo Aster/Copape: atuam na formulação e distribuição de combustíveis e já foram alvo de investigações por fraudes fiscais. Pertencem a Mohamad Hussein Mourad e Renato Steinle Camargo, adquiridas em 2020 por R$ 52 milhões.
  • BK Bank: fintech brasileira que oferece serviços financeiros digitais, incluindo transferências, pagamentos, depósitos, boletos e gestão de cartões pré-pagos.
  • Reag: gestora independente com R$ 299 bilhões sob administração, envolvida na compra de empresas, usinas e blindagem de patrimônio. A Reag confirmou a inclusão de suas sedes em mandados de busca e apreensão no âmbito da operação.

Funcionamento do esquema

Segundo a Receita, o dinheiro obtido com fraudes na cadeia de combustíveis era enviado às fintechs e, em seguida, para os fundos de investimento, dificultando a rastreabilidade e conferindo aparência legal aos recursos. A maioria dos fundos é fechada, com um único cotista, geralmente outro fundo, criando camadas de ocultação.

Entre os bens adquiridos pelos fundos estão:

  • Um terminal portuário;
  • Quatro usinas produtoras de álcool (mais duas em parceria ou aquisição);
  • 1.600 caminhões para transporte de combustíveis;
  • Mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas em São Paulo avaliadas em R$ 31 milhões e uma residência em Trancoso/BA adquirida por R$ 13 milhões.

Segundo a Receita, há indícios de que as administradoras dos fundos estavam cientes do esquema, omitindo informações para ocultar movimentações de cotistas.

O nome Carbono Oculto foi escolhido como referência ao elemento químico presente na gasolina e diesel e, metaforicamente, ao dinheiro escondido em instituições de pagamento e fundos de investimento.

A operação busca desarticular uma complexa rede de fraude financeira, envolvendo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings e fintechs, e reforça a atuação conjunta de órgãos de fiscalização e segurança no combate a crimes organizados no setor de combustíveis.

Gazeta Brasil

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