as "a solução de dois Estados está mais longe do que nunca", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres. EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO
Declaração foi dada pelo ministro
das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, dias após o presidente Emmanuel
Macron anunciar que seu país reconhecerá a Palestina em setembro
“Não há alternativa” à criação de dois
Estados, um israelense e outro palestino, que vivam lado a lado em paz e
segurança, estimou a França nesta
segunda-feira (28), em uma conferência internacional para revitalizar esta
solução que se distanciou após quase dois anos de guerra em Gaza. “Apenas uma solução
política de dois Estados permite responder às legítimas aspirações de
israelenses e palestinos de viver em paz e segurança”, declarou o ministro das
Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, dias após o presidente Emmanuel Macron anunciar
que seu país reconhecerá o Estado palestino em setembro.
Convocada pela Assembleia Geral
da ONU e presidida pela França e a Arábia Saudita, começou nesta segunda uma
conferência ministerial em Nova York para promover uma solução de dois Estados
que coloque fim ao conflito israelense-palestino iniciado em 1947, quando a ONU
decidiu pela partição da Palestina, então sob mandato britânico, em dois
Estados independentes, um judeu e outro árabe. No ano seguinte, foi proclamado
o Estado de Israel.
Para o chanceler saudita,
príncipe Faisal bin Farhan, “um Estado palestino independente é a chave para a
paz na região”. Ele condicionou a normalização das relações com Israel ao
“estabelecimento” desse Estado palestino. No entanto, nem os Estados Unidos nem
Israel participam desta conferência. Para Bin Farhan, o compromisso do
presidente americano, Donald
Trump, “pode ser um catalisador para acabar com a crise imediata em
Gaza e, potencialmente, para resolver o conflito palestino-israelense a longo
prazo”.
Mas os Estados Unidos
consideraram a conferência uma “artimanha publicitária” que dificultará a busca
pela paz, segundo um comunicado do Departamento de Estado. É uma “recompensa ao
terrorismo”, acrescentou. Para o embaixador israelense na ONU, Danny Danon, a
reunião “não promove uma solução, mas sim aprofunda a ilusão”. Ele acusou
organizadores e participantes de “estarem desconectados da realidade”, já que,
segundo ele, é necessário “desmantelar o reino do terror do Hamas”.
“Responsabilidade”
Há décadas, a grande maioria dos
integrantes da ONU tem apoiado a solução de dois Estados, um israelense e outro
palestino. Porém, após mais de 21 meses de guerra em Gaza, da expansão dos
assentamentos israelenses na Cisjordânia e das intenções dos responsáveis
israelenses de anexar este território ocupado, cresce o temor de que a criação
de um Estado palestino seja fisicamente impossível. A França desejaria
convencer outras grandes potências a reconhecer o Estado palestino, como já fez
antes a Espanha.
No entanto, o primeiro-ministro
britânico, Keir Starmer, reiterou, na última sexta-feira, que o reconhecimento
deve “estar inscrito em um plano mais global”. Por sua vez, a Alemanha não o
considera “a curto prazo”.
“Todos os Estados têm a
responsabilidade de agir agora”, insistiu o primeiro-ministro palestino,
Mohammad Mustafa, que se mostrou disposto a autorizar o envio de uma força
internacional para proteger a população palestina. Segundo uma contagem da AFP,
ao menos 142 dos 193 Estados-membros da ONU reconhecem o Estado palestino
proclamado pela direção palestina no exílio em 1988.
“Mais longe do que nunca”
Mas “a solução de dois Estados
está mais longe do que nunca”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
“Sejamos claros, a anexação insidiosa da Cisjordânia é ilegal, deve ser
contida. A destruição em grande escala de Gaza é intolerável, deve ser
contida”, insistiu, denunciando as ações “unilaterais” que poderiam “prejudicar
para sempre” a solução de dois Estados. A conferência pretende se concentrar
sobretudo na reforma da governança da Autoridade Palestina, no desarmamento do
Hamas e sua exclusão do governo palestino e, por último, na normalização das
relações com Israel por parte dos Estados árabes que ainda não o fizeram.
A pressão internacional sobre
Israel para que ponha fim à guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas
de 7 de outubro de 2023, não para de se intensificar diante das imagens do
cenário de fome generalizada no devastado território palestino. Duas ONGs
israelenses acusaram Israel de perpetrar um “genocídio” em Gaza.
Neste contexto, “mais
trivialidades sobre a solução de dois Estados e o processo de paz não ajudarão
a alcançar os objetivos da conferência nem a deter o extermínio dos palestinos
em Gaza”, afirmou o ex-chanceler costa-riquenho Bruno Stagno, da Human Rights
Watch, e instou os governos a tomarem medidas “concretas” contra Israel, em
particular sanções seletivas, um embargo de armas e a suspensão dos acordos
comerciais.
Com informações da AFP

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