Victor César dos Santos conta que, de acordo com o censo de 2022, o número de favelas cresceu 40% em todo o Brasil. Divulgação/Jonathan Fernandes
Victor César dos Santos não
acredita em um narcoestado e diz que a PEC da Segurança não vai resolver nada
os problemas do Brasil
Tráfico de drogas e a
proliferação de armas ilegais, elementos que coexistem quando o assunto é
facção criminosa. Em todo o Estado do Rio de Janeiro, são cerca de 1800 favelas e
comunidades urbanas. Na cidade maravilhosa, 813. Muitas delas, dominadas pelo
tráfico que está presente nestes e em outros vários lugares.
De acordo com Victor César dos
Santos, atual Secretário de Segurança Pública, o Rio de Janeiro não é um
narcoestado porque o Governo ainda detém o controle: “Falar do narcoestado é
dizer que o Estado perdeu o controle. Eu acho que não chegamos a esse ponto.
Medidas têm que ser tomadas para que isso não se torne uma realidade. O que a
gente vê é um crescimento desenfreado de anos de comunidades e a desordem é um
ambiente favorável ao criminoso. Você vê, no Rio de Janeiro, ‘micro
soberanias’, territórios comandados por faccções criminosas faz anos!”.
“O maior desafio que nós temos
no RJ é a quantidade de fuzis nas mãos dos criminosos”
Victor César dos Santos diz que o
maior desafio da pasta é lidar com um problema que ele chama de cultural no
Estado do Rio de Janeiro: a entrada de fuzis em toda a região. Utilizada pelos
criminosos para conquistar e expandir territórios, o secretário diz que “a
ferramenta que viabiliza tudo são os fuzis. Isso a gente não encontra em outro
Estado! A gente apreende dois, três fuzis por dia. Em janeiro deste ano, a
polícia militar apreendeu 84 fuzis. Na Bahia, no ano passado inteiro, foram 78
fuzis apreendidos. No Rio de Janeiro, é uma cultura. Só aqui você vê um roubo
de carrocinha de cachorro-quente com fuzil. Roubo de veículo com fuzil“.
O secretário explica que a posse
de fuzis por criminosos é comum em todo o Brasil, mas que, no Rio de Janeiro,
existe uma certa ostentação. Ele compara com São Paulo, onde os criminosos usam
os fuzis para roubar instituições financeiras, agências e carros-forte: “No
Rio, banalizou a utilização do fuzil. Você vai ver um carro com quatro
criminosos com quatro fuzis para roubar um carro. Se somar, talvez, o valor dos
fuzis que eles estão portando, é mais caro do que o carro que eles estão
roubando. Essa cultura do Rio de Janeiro, dessa ostentação do fuzil, isso é uma
característica do Rio. O maior desafio é a quantidade de fuzis na mão dos
criminosos porque o fuzil é o instrumento que mais potencializa a insegurança.
Um tiro de fuzil assusta as pessoas”, diz o secretário.
Victor César dos Santos conta
que, de acordo com o censo de 2022, o número de favelas cresceu 40% em todo o
Brasil. “Se somar o número de favelas para transformar isso em um Estado, seria
o terceiro maior Estado do Brasil”, diz o secretário. Ele relaciona o assunto
ao crime: “Se já sabemos que a desordem, que o problema habitacional gera a
migração de criminosos para essas regiões, a gente tem que fazer um trabalho de
retomada do território, tirando das organizações criminosas. É uma tarefa fácil?
Não!”, pontua.
“A PEC da Segurança Pública
não resolve em nada o problema!”
A Proposta de Emenda à
Constituição da Segurança Pública está em tramitação na Câmara dos Deputados e
visa reformular a gestão da segurança pública em todo o país, buscando integração
com projetos como a criação do chamado Sistema Único de Segurança Pública e
ainda garantir a autonomia para corregedorias das polícias e guardas
municipais. Nas palavras do secretário: “Na prática, a PEC da Segurança Pública
não resolve em nada o problema e tem muito a ver com questões sindicalistas das
Polícias Federal e Rodoviária Federal”. Mas, Victor Cesar dos Santos vê como
positiva a garantia do chamado Fundo Nacional de Segurança na Constituição
Brasileira.
JP

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