Cidade deixa de receber verba para equipar abrigo destinado a vítimas de violência doméstica.
A cidade de Nova Friburgo, na Região Serrana do
Rio, vai perder nesta sexta (13) a verba de R$ 814 mil destinada à compra de
equipamentos para uma casa abrigo de mulheres vítimas de violência doméstica. A
informação foi confirmada durante reunião do Conselho Municipal dos Direitos da
Mulher, realizada no início desta semana.
O recurso foi obtido por emenda
parlamentar do deputado federal Glauber Braga (PSOL), via processo de emenda
participativa. Apesar de estar empenhado — ou seja, reservado pelo Ministério
das Mulheres — a Prefeitura não cumpriu a exigência de indicar um imóvel onde
os equipamentos seriam instalados. Também não solicitou a prorrogação de prazo
dentro do sistema federal, o que resultou na perda da verba.
A vereadora Maiara Felício (PT)
lamentou a situação, ressaltando o esforço coletivo que vinha sendo feito há
anos:
“Acabamos de perder quase um
milhão de reais que faria diferença numa política de acolhimento e abrigamento
para mulheres em situação de violência. Apesar de todas as manifestações,
documentos emitidos, reuniões, audiências públicas, a Prefeitura conseguiu
perder o recurso. Perderam o prazo de pedido de prorrogação para utilizar a
verba.”
O projeto da casa abrigo foi
elaborado pelo Conselho da Mulher em 2021. Desde então, foram realizadas
mobilizações de rua, abaixo-assinado com 2.300 assinaturas, reuniões com o
Ministério Público e uma audiência pública na Câmara. Nenhum representante do Poder
Executivo compareceu à audiência.
“Esse ano nós tivemos uma série
de mobilizações, mobilizações de rua, abaixo-assinado, reunião ampliada, uma
audiência pública na Câmara Municipal para tratar desse tema. Audiência que não
teve nenhuma representação do Poder Público Municipal. Nova Friburgo registra
altos índices de violência contra as mulheres. Está acima da média estadual,
pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Então, é inadmissível
que a Prefeitura perca essa verba num momento como esse para as mulheres”,
disse Viviane Heringer, coordenadora do Conselho Municipal dos Diretos da
Mulher.
Dados da Delegacia da Mulher
(DEAM) apontam que a cidade registrou 512 boletins por violência doméstica
entre janeiro e maio de 2025. A média anual desde 2022 é de mais de 1.100
casos. Segundo o projeto TecleMulher, a taxa de feminicídio local é de 1,57 %,
por 100 mil habitantes — mais que o triplo da registrada na capital fluminense.
Segundo a legislação municipal e
federal, a Secretaria de Assistência Social tem como função coordenar e
executar políticas públicas voltadas à proteção de grupos vulneráveis, como
mulheres em situação de risco, em articulação com o Governo Federal e o Sistema
Único de Assistência Social (SUAS).
Já a Secretaria da Mulher, criada
este ano, tem entre suas atribuições a supervisão de ações voltadas à defesa
dos direitos das mulheres e deveria acompanhar projetos e recursos em andamento
na área, mesmo que não diretamente responsável pela execução da emenda.
De acordo com as representantes
do CMDM, ambas foram alertadas com antecedência sobre os riscos de perder o
recurso e, mesmo assim, não acompanharam o processo administrativo necessário.
Em resposta, A Prefeitura de Nova
Friburgo esclarece que a emenda parlamentar recebida tinha como objeto a
aquisição de equipamentos para uma casa de acolhimento institucional para
mulheres vítimas de violência doméstica, porém, o município não possui essa
casa de acolhimento para executar os recursos. Em 2022, havia a expectativa da
construção de uma casa estadual com contrapartida municipal, que disponibilizou
um imóvel, mas o equipamento estadual ainda não foi viabilizado, impedindo a
compra dos equipamentos para evitar deterioração, conforme orientações dos
órgãos de controle.
Apesar dos índices alarmantes de
violência contra a mulher, a prefeitura constatou que a demanda local por
abrigamento emergencial é insuficiente para manter um equipamento municipal
próprio, pois os casos são regulados para abrigos estaduais. O município,
entretanto, está avaliando o cenário e busca melhorar a política de abrigamento
emergencial por meio do credenciamento na rede hoteleira local, evitando que as
vítimas sejam encaminhadas para abrigos fora do município.
Por Nathalia Rebello, g1 — Nova Friburgo

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