O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou, na noite desta quarta-feira (21), uma nota contundente contra o Projeto de Lei que propõe mudanças nas regras do licenciamento ambiental no Brasil. Segundo o órgão, a proposta representa uma “desestruturação significativa” da legislação vigente e põe em risco a segurança ambiental e social do país.
A ministra Marina Silva reforçou
a crítica, destacando que as alterações podem representar um retrocesso grave,
ameaçando até compromissos climáticos assumidos pelo Brasil em acordos
comerciais, como os negociados entre Mercosul e União Europeia.
De acordo com o MMA, a proposta
enfraquece a gestão socioambiental e tende a aumentar a judicialização dos
processos, tornando o licenciamento mais lento e custoso para a sociedade e o
Estado. O ponto mais controverso é a ampliação da Licença por Adesão e
Compromisso (LAC), que permitiria o licenciamento simplificado, baseado apenas
na autodeclaração dos empreendedores.
Isso significa que obras
potencialmente poluidoras, como duplicação de rodovias e dragagens, poderiam
ser autorizadas sem a exigência de estudos prévios de impacto ambiental,
elevando o risco para comunidades e áreas protegidas. Além disso, a
fiscalização passaria a ocorrer por amostragem, o que dificultaria o controle
efetivo das atividades.
O projeto também enfraquece
órgãos ambientais importantes, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),
e limita a participação de entidades indigenistas, abrindo brechas para
empreendimentos em áreas protegidas sem a análise técnica adequada ou consulta
às comunidades tradicionais, contrariando acordos internacionais.
Outro ponto crítico levantado
pelo Ministério é a exclusão dos impactos ambientais indiretos — como
desmatamento e poluição — nos estudos de impacto, comprometendo a avaliação
completa dos efeitos dos projetos. O texto ainda possibilita que empreendedores
contestem exigências ambientais alegando dificuldades em comprovar a relação direta
entre obra e impacto, enfraquecendo a prevenção e a compensação de danos.
A proposta também isenta
atividades agropecuárias de licenciamento, desde que estejam registradas em
cadastros ambientais, mesmo sem avaliar os possíveis efeitos sobre solo, água e
vegetação.
Marina Silva alertou para o
aumento da insegurança jurídica, o risco de mais disputas judiciais e os
desafios ao desenvolvimento sustentável decorrentes das mudanças. Para o
Ministério do Meio Ambiente, é fundamental que a legislação combine agilidade
nos processos com a proteção efetiva do meio ambiente e das populações
afetadas.
Gazeta Brasil

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