5/26/2025

Jornal Britânico Aponta o que Estava por Trás do Apagão na Europa


Enquanto a investigação oficial sobre o grande apagão que atingiu milhões de pessoas na Península Ibérica em 28 de abril segue em curso na Espanha – com o governo estabelecendo um prazo de três a seis meses para esclarecer o ocorrido –, o jornal londrino The Telegraph trouxe uma informação surpreendente sobre a suposta causa do incidente histórico.https://ads.stickyadstv.com/user-matching?id=2545&_fw_gdpr=0&_fw_gdpr_consent=

Citando fontes da União Europeia, o jornalista Ambrose Evans-Pritchard afirma que as autoridades espanholas “estavam realizando um experimento antes de o sistema colapsar, para avaliar até onde poderiam aumentar a dependência das energias renováveis em preparação para a rápida eliminação gradual dos reatores nucleares na Espanha a partir de 2027”. O artigo acrescenta: “O governo parece ter acelerado o ritmo de forma imprudente, antes de realizar os investimentos necessários em uma sofisticada rede inteligente do século XXI capaz de gerenciá-lo”.

O jornalista compara o episódio ao acidente de Chernobyl em 1986, que “começou como um teste para simular o que acontece com um reator em resfriamento em condições de apagão. Os operadores ignoraram os avisos de que o reator número quatro tinha muito pouca energia. Isso desencadeou uma falha em cascata”.

Setor Elétrico Critica Investigação Europeia

Em seu artigo, Evans-Pritchard critica a investigação, ecoando as recentes observações da associação do setor elétrico espanhol, Aelec, que questionavam a condução da apuração europeia. O autor vai além, afirmando que os representantes das elétricas estiveram “a ponto de qualificar toda a investigação de farsa”.

De fato, um comunicado divulgado pela Aelec, que representa grandes empresas como Iberdrola, Endesa e EDP, na última terça-feira, apontou a omissão na investigação europeia de “importantes oscilações de tensão em toda a rede ibérica” antes do apagão, tanto na manhã do incidente quanto na semana anterior. “Surpreendentemente, a análise preliminar que a Entso-E, entidade que coordena e agrupa os Operadores do Sistema europeus, fez do incidente ignorou essa circunstância, e afirma que a rede estava em situação normal segundos antes do apagão”, diz o texto.

As companhias afirmaram ter “observado e informado” as autoridades competentes “de uma extrema subida de tensão na rede elétrica que provocou a desconexão automática de instalações de geração e consumo das empresas”. Além disso, nos dias 22 e 24 de abril, já haviam registrado “variações que provocaram a desconexão automática de instalações de geração e de clientes”. “Desde a associação queremos chamar a atenção para o fato de que a cronologia [da Entso-E] se circunscreve apenas aos 20 segundos anteriores ao colapso e evita uma menção às oscilações [prévias] de tensão”, declarou a Aelec.

Após a divulgação dessas informações, o Partido Popular (PP) aproveitou para criticar o governo, dando como válida a reportagem do The Telegraph, que não detalha as fontes além de “Bruxelas”. “Os espanhóis não deveriam ficar sabendo pelos meios estrangeiros os motivos que teriam causado um apagão que deixou sem luz dois países da União Europeia por culpa das excentricidades energéticas do Governo. Sánchez não só teria ocultado a verdade, como também tentou desviar a atenção dos cidadãos falando de um ciberataque que só existiu no argumento defensivo desenhado em La Moncloa”, destacaram vozes populares nesta sexta-feira.

Gazeta Brasil

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