Enquanto a investigação oficial sobre o grande apagão que atingiu milhões de pessoas na Península Ibérica em 28 de abril segue em curso na Espanha – com o governo estabelecendo um prazo de três a seis meses para esclarecer o ocorrido –, o jornal londrino The Telegraph trouxe uma informação surpreendente sobre a suposta causa do incidente histórico.
Citando fontes da União Europeia,
o jornalista Ambrose Evans-Pritchard afirma que as autoridades espanholas “estavam
realizando um experimento antes de o sistema colapsar, para avaliar até onde
poderiam aumentar a dependência das energias renováveis em preparação para a
rápida eliminação gradual dos reatores nucleares na Espanha a partir de 2027”.
O artigo acrescenta: “O governo parece ter acelerado o ritmo de forma
imprudente, antes de realizar os investimentos necessários em uma sofisticada
rede inteligente do século XXI capaz de gerenciá-lo”.
O jornalista compara o episódio
ao acidente de Chernobyl em 1986, que “começou como um teste para simular o que
acontece com um reator em resfriamento em condições de apagão. Os operadores
ignoraram os avisos de que o reator número quatro tinha muito pouca energia.
Isso desencadeou uma falha em cascata”.
Setor Elétrico Critica
Investigação Europeia
Em seu artigo, Evans-Pritchard
critica a investigação, ecoando as recentes observações da associação do setor
elétrico espanhol, Aelec, que questionavam a condução da apuração europeia. O
autor vai além, afirmando que os representantes das elétricas estiveram “a
ponto de qualificar toda a investigação de farsa”.
De fato, um comunicado divulgado
pela Aelec, que representa grandes empresas como Iberdrola, Endesa e EDP, na
última terça-feira, apontou a omissão na investigação europeia de “importantes
oscilações de tensão em toda a rede ibérica” antes do apagão, tanto na manhã do
incidente quanto na semana anterior. “Surpreendentemente, a análise preliminar
que a Entso-E, entidade que coordena e agrupa os Operadores do Sistema
europeus, fez do incidente ignorou essa circunstância, e afirma que a rede
estava em situação normal segundos antes do apagão”, diz o texto.
As companhias afirmaram ter
“observado e informado” as autoridades competentes “de uma extrema subida de
tensão na rede elétrica que provocou a desconexão automática de instalações de
geração e consumo das empresas”. Além disso, nos dias 22 e 24 de abril, já
haviam registrado “variações que provocaram a desconexão automática de
instalações de geração e de clientes”. “Desde a associação queremos chamar a
atenção para o fato de que a cronologia [da Entso-E] se circunscreve apenas aos
20 segundos anteriores ao colapso e evita uma menção às oscilações [prévias] de
tensão”, declarou a Aelec.
Após a divulgação dessas
informações, o Partido Popular (PP) aproveitou para criticar o governo, dando
como válida a reportagem do The Telegraph, que não detalha as fontes além de
“Bruxelas”. “Os espanhóis não deveriam ficar sabendo pelos meios estrangeiros
os motivos que teriam causado um apagão que deixou sem luz dois países da União
Europeia por culpa das excentricidades energéticas do Governo. Sánchez não só
teria ocultado a verdade, como também tentou desviar a atenção dos cidadãos
falando de um ciberataque que só existiu no argumento defensivo desenhado em La
Moncloa”, destacaram vozes populares nesta sexta-feira.
Gazeta Brasil

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