Os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos publicaram nesta terça-feira o último conjunto de documentos relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, ocorrido em 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas.
A divulgação desses arquivos, que
ainda alimentam teorias da conspiração mais de seis décadas após o crime,
atende a uma ordem executiva assinada em janeiro pelo ex-presidente Donald
Trump.
De acordo com a ordem, os
documentos liberados incluem informações anteriormente classificadas não apenas
sobre o assassinato de Kennedy, mas também sobre a morte de seu irmão, o
ex-procurador-geral Robert F. Kennedy, e do líder dos direitos civis Martin
Luther King Jr.
Segundo o site dos Arquivos
Nacionais, a grande maioria das 6 milhões de páginas relacionadas à
investigação já foi desclassificada. Muitos desses registros podem ser
consultados na página da Mary Ferrell Foundation, uma organização
dedicada ao estudo do caso.
“O assassinato de Kennedy é uma história em
constante evolução”, afirmou Rex Bradford, presidente da fundação, ao Washington
Post. “Cada nova publicação nos traz detalhes que completam o cenário.”
A liberação desses documentos faz
parte de um processo iniciado há décadas. Em 1992, o Congresso dos EUA aprovou
a JFK Assassination Records Collection Act, que determinava a
divulgação de todos os arquivos relacionados ao caso em um prazo de 25 anos. Em
2017, quando o prazo venceu, Trump autorizou a publicação de alguns documentos,
mas manteve outros sob sigilo por razões de segurança nacional.
O processo continuou sob a
administração de Joe Biden, que em 2022 ordenou a divulgação de milhares de
páginas adicionais, mantendo, no entanto, algumas restrições. Com esta última
liberação, os Arquivos Nacionais afirmam que praticamente todos os registros do
caso estão agora disponíveis ao público.
Assassinato e teorias da
conspiração
John F. Kennedy foi morto
enquanto desfilava em um carro conversível pelo centro de Dallas. Segundo a
versão oficial da Comissão Warren, o responsável pelo crime foi Lee Harvey
Oswald, um ex-fuzileiro naval que havia vivido na União Soviética e tinha ligações
com grupos comunistas.
Oswald foi preso logo após o
assassinato, mas foi morto dois dias depois por Jack Ruby, dono de uma boate em
Dallas, o que intensificou as suspeitas de uma possível conspiração.
Ao longo dos anos, diversas
teorias contestaram a versão oficial, sugerindo a participação da CIA, da
máfia, do governo cubano de Fidel Castro ou até mesmo de setores do próprio
governo dos EUA. A falta de transparência na divulgação dos documentos
contribuiu para a permanência dessas especulações.
O historiador Jefferson Morley,
especialista no caso, disse ao Washington Post que os arquivos
divulgados nesta terça podem conter mais de 3.500 documentos anteriormente
censurados, somando cerca de 15 mil páginas de informações, além de outros
2.400 registros do FBI.
Um dos pontos mais esperados é o
acesso a depoimentos de altos funcionários da CIA sobre a vigilância a Oswald
na Cidade do México, onde ele se encontrou com agentes cubanos e russos semanas
antes do assassinato.
O jornalista Philip Shenon, autor
de um livro sobre o caso, afirmou ao veículo norte-americano que os documentos
podem trazer mais clareza sobre os contatos de Oswald no México. “Os registros
já mostraram que ele falou abertamente sobre assassinar Kennedy com
funcionários da embaixada cubana”, disse.
Shenon ressaltou que, caso as
novas revelações confirmem que a CIA ou o FBI tinham conhecimento das intenções
de Oswald, a principal questão será: “Por que não alertaram Washington sobre o
perigo que ele representava?”.
Gazeta Brasil

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