O governo do Paraguai ordenou a saída do país de um diplomata da delegação chinesa que participava de reuniões da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Segundo as autoridades paraguaias, o enviado chinês teria se envolvido em questões políticas, violando os protocolos diplomáticos, o que foi classificado como “intromissão em assuntos internos”.
Durante o evento, Xu Wei,
identificado como representante para a América Latina do Ministério das
Relações Exteriores da China, realizou encontros com os parlamentares
paraguaios Éver Villalba e Billy Vaesken. Nessas reuniões, ele teria
pressionado o Paraguai a romper relações diplomáticas com Taiwan como condição
para estabelecer vínculos com Pequim. “É com a China ou com Taiwan”, afirmou Xu
Wei, reforçando que não há possibilidade de que ambos os países mantenham
relações simultâneas com o Paraguai.
Expulsão e reações
Em resposta, o Ministério das
Relações Exteriores do Paraguai anunciou nas redes sociais a revogação do visto
de Xu Wei, que recebeu um prazo de 24 horas para deixar o país. O vice-ministro
de Administração e Assuntos Técnicos da Chancelaria, Juan Baiardi, criticou a
postura do diplomata chinês. “Ele deveria ter se limitado ao propósito de sua
visita, mas se dedicou a fazer política e a interferir em questões que não lhe
competem”, afirmou Baiardi à rádio ABC Cardinal.
A embaixada de Taiwan em Assunção
também condenou veementemente as declarações de Xu Wei, classificando-o como um
“infiltrado” de Pequim com o objetivo de “minar a amizade duradoura” entre
Paraguai e Taiwan. Em nota, os taiwaneses reafirmaram que “Taiwan é um país
independente e soberano” e declararam que “o regime comunista chinês jamais
representou ou representará Taiwan”.
Relações históricas e pressões
econômicas
O Paraguai é o único país da
América do Sul que mantém relações diplomáticas com Taiwan, vínculo que já dura
mais de 60 anos. Apesar disso, o crescente peso econômico e político da China
tem aumentado a pressão sobre o governo de Santiago Peña. A administração
paraguaia já demonstrou interesse em explorar acordos comerciais com Pequim por
meio do Mercosul, mas insiste que isso não implicará o rompimento dos laços com
Taiwan.
A recente visita de Xu Wei,
contudo, evidenciou a estratégia agressiva da China para enfraquecer o apoio
diplomático a Taiwan, especialmente na América Latina. Pequim considera Taiwan
uma província rebelde e vem intensificando esforços para isolá-la
internacionalmente, utilizando incentivos econômicos e diplomáticos como
ferramentas de persuasão.
No Congresso paraguaio, o
episódio gerou divisões. Enquanto alguns parlamentares defendem a manutenção
dos laços com Taiwan, outros argumentam que priorizar relações comerciais com a
China seria mais benéfico para o país.
Compromisso com Taiwan
Em 29 de novembro, durante visita
a Taiwan, o chanceler paraguaio Rubén Darío Ramírez Lezcano reafirmou o
compromisso de seu país com a ilha. “O Paraguai está aberto a estabelecer
relações diplomáticas, consulares ou comerciais com a China, mas sem condições.
Não aceitamos qualquer exigência para romper nossas relações com Taiwan”,
declarou.
O ministro também se reuniu com o
presidente taiwanês, Lai Ching-te, que celebrou o encontro como uma
“demonstração da forte amizade” entre os dois países.
Com informações de Europa Press.
Gazeta Brasil

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