Presidente argentino será
representado pela chanceler Diana Mondino na Cúpula do Mercosul, no dia 8/7;
Itamaraty evitou comentar a vinda de Milei a Santa Catarina para um evento com
opositores
O Ministério das Relações
Exteriores informou, nesta quarta-feira (3), que o governo brasileiro não
recebeu nenhuma informação oficial, da Argentina, sobre a
viagem do presidente Javier
Milei ao Brasil, no próximo fim de semana. O Itamaraty evitou
comentar as consequências políticas da vinda do chefe de Estado a Santa
Catarina, com objetivo de participar de um evento político de opositores e se
reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei deve ignorar o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva na visita, em mais um gesto que interrompe uma tentativa
das chancelarias dos dois países de obter uma reunião entre eles e criar canais
para uma relação mais pragmática. “Em relação à presença eventual do presidente
Milei ao Brasil, não temos nenhuma confirmação oficial. Não posso sequer
comentar”, disse a embaixadora Gisela Padovan, em entrevista a jornalistas.
O Itamaraty costuma ser avisado
nesses casos. Por protocolo, quando um chefe de Estado viaja a outro país em
avião próprio os governos trocam informações diplomáticas e militares. Além do
aviso, são compartilhados dados da rota, o plano de voo, para coordenação da
entrada no espaço áero, controlado no Brasil pela Aeronáutica. Em caso similar,
o presidente argentino voou à Espanha, em meio a uma crise diplomática com o
governo do socialista Pedro Sánchez, sem ter qualquer contato com ele. Na
ocasião, a embaixada argentina enviou uma nota verbal para avisar da viagem.
A Embaixada da Argentina em
Brasília disse não ter informações oficiais sobre a viagem de Milei. A Força
Aérea Brasileira ainda não respondeu se recebeu detalhes de eventual plano de
voo. Milei chegou a usar voos operados por linhas aéreas comerciais, no início
do mandato, sob o argumento de corte de gastos. Depois, alegou razões de
segurança e passou a voar em avião próprio da Presidência Argentina, como os
antecessores. Segundo o jornal Clarín, no entanto, a aeronave presidencial do
país entrou em rotina de manutenção e não estará disponível por meses
A Casa Rosada disse, nesta
terça-feira (2), que Milei tem viajado preferencialmente no avião da Força
Aérea argentina, mas que o convite da organização do CPAC, a cargo do deputado
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cobre os custos de uma viagem particular, em voo de
carreira. Por fim, o governo argentino deixou em aberto os detalhes e ainda não
confirmou qual será a opção de viagem do presidente Milei para vir a Santa
Catarina. Existem voos diários conectando Buenos Aires ao Estado, e ele poderá
usar ainda outra aeronave militar do país.
“Não me compete comentar
declarações do presidente de outro país, nem do meu presidente”, disse a
embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe no Itamaraty.
“Nós trabalhamos para que as relações com a Argentina continuem sendo o que
sempre foram, de dois países parceiros, dois países com interesses enormes, as
duas economias, as duas populações, com integração em múltiplos setores
estratégicos, nuclear, espacial, defesa. É isso que a gente busca preservar.”
Mercosul
A chancelaria brasileira lamentou
a ausência de Milei na Cúpula do Mercosul, na próxima
segunda-feira (8), em Assunção, Paraguai. Ele será
representado pela chanceler Diana Mondino. Essa seria a primeira cúpula de
Milei no bloco, desde sua chegada ao poder, mas ele preferiu ficar marcado como
o primeiro presidente argentino ausente, conforme registros do Itamaraty. Os
embaixadores que lideram os preparativos da delegação brasileira disseram que
será a primeira vez que um presidente argentino falta à reunião de chefes de
Estado do bloco. Há exatos dois anos, o ex-presidente Jair Bolsonaro
ausentou-se da cúpula, na ocasião também realizada em Assunção.
“Em relação à ausência do
presidente Milei, a gente lamenta. É a primeira vez que isso acontece, e não é
desejável. Mas o Mercosul tem a vantagem de ser um mecanismo muito consolidado,
tem 33 anos de história, mais 3,8 mil decisões. Em termos de substância, a
cúpula acontecerá, a chanceler Mondino representará a Argentina e assinaremos o
que temos de assinar. Não altera em nada a substância da cúpula. As declarações
serão feitas e esperamos dar as boas-vindas à Bolívia, fazer a melhor cúpula
possível. Mas politicamente, claro, é lamentável que um presidente deicida não
ir, ainda com parceiros de um agrupmaneto tão importante. A decisão é soberada
e cada país faz a sua política externa.”
Na campanha eleitoral, Milei
chegou a ameaçar retirar a Argentina do Mercosul. Ele disse considerar o bloco
de “má qualidade” e afirmou que cria “distorções comerciais” e ser prejudicial
aos países membros. Depois, integrantes do governo entraram em cena e até agora
mantiveram participação ativa, mas a ausência de Milei é um claro sinal de
falta de prioridade política.
Segundo o Itamaraty, o principal
fato da reunião de líderes que terá a presença de Lula, no dia 8, no Paraguai
será a comunicação oficial de adesão da Bolívia. Em etapa interna, o Senado
boliviano vota nesta quarta-feira o protocolo de adesão. Após aprovado, ele
será levado a Assunção pelo presidente Luis Arce, em gesto que simboliza a
entrada do país. A partir de então, a Bolívia terá um prazo de quatro anos para
concluir o processo, adequando-se aos acordos internos do Mercosul.
Por Jovem Pan
Publicado por Carolina
Ferreira
*Com informações do Estadão
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