20/02/2024

Polícia Diz Que Empresa Fundada Por Líder Do PT Pagava R$ 70 Mil Por Semana Ao PCC

Mensagens obtidas pela polícia no

celular de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da empresa de ônibus “Transunião”,

mostram a existência de pagamentos semanais de R$ 70 mil, feitos por meio do

caixa da companhia, ao PCC, maior facção criminosa do Brasil.















Os diálogos constam no inquérito

conduzido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que foi

obtido pelo jornal O Estadão. As investigações estão sob sigilo de Justiça.







A “Transunião” é uma

das três empresas de ônibus da cidade de São Paulo cujos diretores ou

acionistas são investigados atualmente por crimes que a polícia liga ao PCC.







A empresa de ônibus tem 467

ônibus em sua frota e opera em dois lotes do sistema de transporte público de

São Paulo.







A investigação sobre o caso, que

envolve extorsões, lavagem de dinheiro e organização criminosa, começou com o

inquérito sobre o assassinato de Adauto Soares Jorge, morto a tiros em 4 de

março de 2020, em um estacionamento da rua Cônego Antonio Manzi, no Lajeado, na

zona leste de SP.







Na ocasião, Jorge estava

acompanhado por Devanil Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”, um antigo







Devanil Souza Nascimento era

motorista do vereador Senival Moura (PT), líder da oposição na Câmara Municipal

de São Paulo e um dos fundadores da Transunião.







De acordo com a polícia, Devanil

Souza Nascimento seria envolvido com um “esquema” de

administração de creches subsidiadas com recursos oriundos da Prefeitura e foi

investigado no inquérito sobre o homicídio, assim como Moura, sob a suspeita de

ter conduzido Jorge até o estacionamento, sabendo da armadilha que havia sido

montada contra a vítima.







Ambos negam a acusação e suas

defesas alegam que eles são inocentes. Em discurso feito em junho de 2022, no

plenário da Câmara, Senival disse: “Operamos com a Transunião até o dia

4 de fevereiro de 2020. No dia 5 teria uma assembleia da empresa, e eu e o

Adauto Soares Jorge fomos recomendados a não participar. Quando recebi isso,

achei melhor ir embora”, disse o Moura. “Nós (o vereador e Adauto) criamos essa

empresa, mas me desliguei”.







 “Apurou-se, em síntese, que a morte de Adauto

Soares Jorge teve relação com um esquema de desvio de verbas da precitada

empresa de transportes públicos Transunião, a qual, desde seu nascedouro, ainda

no modelo de Cooperativa, vinha sendo utilizada para a lavagem de capitais

oriundos do crime, mais especificamente, valores obtidos ilicitamente, advindos

da facção criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital”, diz o

relatório do inquérito do caso.







Senival Moura era uma liderança

entre os perueiros da capital nos anos 2000. De acordo com o relatório assinado

pelo delegado Anderson Honorato Santos, foi quando os “notórios

criminosos” Ricardo Pereira dos Santos, o “Cunta”, e Alexandre

Ferreira Viana, o “Alexandre Gordo”, teriam providenciado recursos para a

campanha eleitoral do político, ele concorreu pela 1ª vez a vereador em 2004.







Em troca, afirmou o delegado, o

PCC “passou a ocupar grande parte das cotas/ações, vinculadas à

indigitada empresa, tornando cada vez mais perigoso o ‘jogo’ de desvio de

recursos e branqueamento de capitais, visto que, em grande parte, Senival e

Adauto, agora mais do que nunca, teriam que prestar contas à criminalidade

organizada”.







Gazeta Brasil





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