A Primeira Câmara do Tribunal de Apelações de Santiago decidiu reabrir a investigação sobre a morte do poeta chileno Pablo Neruda, ocorrida 12 dias após o golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet em setembro de 1973. A decisão foi recebida com entusiasmo pela família de Neruda, que há anos luta para esclarecer as circunstâncias de sua morte.
A juíza Paola Plaza, responsável
pela investigação, havia encerrado o processo em setembro de 2023, concluindo
que Neruda morreu em decorrência de um câncer de próstata avançado. No entanto,
a família do poeta e o Partido Comunista, do qual Neruda era membro,
contestaram a decisão e recorreram ao Tribunal de Apelações.
Em um acórdão unânime publicado
na segunda-feira (20), a Primeira Câmara do Tribunal de Apelações acolheu o
recurso e determinou a reabertura da investigação. A decisão ordena a
realização de diversos procedimentos solicitados pelos demandantes, como:
- Exame caligráfico da certidão de óbito;
- Obtenção de novas declarações;
- Realização de uma “meta-perícia” para revisar e
interpretar os resultados da perícia realizada por peritos das
Universidades de McMaster (Canadá) e Copenhaga (Dinamarca).
Envenenamento?
A tese do envenenamento de Neruda
foi levantada pelo seu motorista e secretário pessoal, Manuel Araya, e ganhou
força em 2017, quando um segundo painel de especialistas encontrou “Clostridium
botulinum” no corpo do poeta. A bactéria, responsável pelo botulismo, pode
causar problemas no sistema nervoso e até a morte.
Para a família de Neruda, a
reabertura da investigação é um passo importante para a busca da verdade. “A
verdade demora a chegar, mas vai chegando aos poucos”, disse Rodolfo Reyes,
sobrinho do poeta. “É uma grande conquista de justiça que há anos pedimos para
meu tio Pablo.”

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