Presidente brasileiro se
tornou 'persona non grata' para Israel após comparar ações de defesa israelense
ao nazismo
Os gestos e as atitudes do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm prejudicado o Brasil na área da
política externa, avaliam especialistas consultados pelo R7. Os
exemplos citados são as declarações sobre as ações de defesa de Israel, que o
considerou "persona non grata", do conflito entre Rússia
e Ucrânia e a tentativa de relativizar o regime ditatorial de Nicolás Maduro na
Venezuela.
Desde o início do conflito entre
Israel e o grupo terrorista Hamas, Lula tem buscado o papel de conciliador,
visando um cessar-fogo permanente na região. A mesma atitude tem sido tomada em
relação à guerra da Rússia na Ucrânia. Nas principais ocasiões, o petista
enviou o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, para se
reunir com membros de ambos os governos na tentativa de se buscar uma solução.
Lula registrou diversas
dificuldades para colocar em prática seu plano de o Brasil ser protagonista e
pacificador nas questões internacionais voltadas para a área da segurança. O
líder brasileiro criticou os Estados Unidos, por supostamente alimentar a
guerra na Ucrânia, e recebeu uma repreenda da Casa Branca, que afirmou que
o Brasil estava "papagueando" o discurso adotado
pela Rússia para negar que tem culpa.
O episódio mais recente e
polêmico ocorreu nessa segunda-feira (19), quando Israel classificou Lula como
"persona non grata" no país até que haja uma retratação sobre as
declarações feitas pelo presidente brasileiro.
No fim de semana, o petista
comparou as ações de defesa israelense no conflito contra o grupo terrorista
Hamas ao nazismo. "O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo
palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu.
Quando Hitler decidiu matar os judeus", afirmou o petista na ocasião.
O que está acontecendo na
Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento
histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler decidiu matar os judeus.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA,
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Depois do mal-estar causado pela
fala do presidente, o governo israelense tornou Lula "persona non
grata" no país. O embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer,
foi chamado por Lula para consultas e embarca para o Brasil nesta terça
(19).
"Cada vez que o presidente
Lula viaja ao exterior, traz estragos e prejuízos em termos de política
externa. E são episódios tristes para os brasileiros, que compõem
tradicionalmente um povo pacífico, aberto e amigo com as demais nações. No caso
de Israel, os gestos parecem fechar as portas aos israelenses e desrespeitam os
judeus que em solo brasileiro estão. É uma tremenda ofensa", avalia a
professora de direito da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso.
"Por outro lado, acirra
também a polarização no país, uma vez que, aqueles que seguem o pensamento
ideológico-partidário de Lula, se sentem autorizados à revanche antissemita. É
extremamente prejudicial nas relações internacional e interna, porque serve de
combustível para a eventual prática de crime", acrescenta.
Para a professora de direito da
USP, os gestos de Lula fazem com se que perca completamente o espaço de
conciliador que o Brasil buscava ocupar entre países que estão em disputa, como
Israel e Palestina e Rússia e Ucrânia.
"Perdeu a credibilidade.
Essas manifestações são incompatíveis com o posto de líder, de conciliador.
Qualquer pretensão que se tinha, de ser o protagonista, de ocupar espaço de
liderança, acabou", argumenta.
Outro episódio citado pelos
especialistas trata-se do regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela. No
ano passado, Lula disse que o ditador merece mais respeito,
apesar de o governo dele ser conhecido por episódios de violação de direitos
humanos, censura à imprensa e prisão a opositores. O petista evitou dizer se o
país vizinho é uma democracia, mas destacou que a situação política do país não
pode sofrer interferência de outras nações.
Para o diplomata e diretor de
Relações Internacionais do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito
Federal, Paulo Roberto de Almeida, as declarações do presidente podem
prejudicar a política externa brasileira.
"A declaração de Lula é
absolutamente equivocada nos planos histórico, diplomático e político. Não há
equiparação possível ao Holocausto, que foi organizado por um Estado contra uma
determinada população. Foi um massacre. Não há precedentes na história",
avalia.
"Temos duas questões que
caracterizam o [mandato] Lula 3, que deveria ser mais maduro pelas experiências
dos mandatos anteriores. O que a gente repara é que tem havido tensões internas
e externas que derivam das posturas típicas do PT. No campo econômico, o
intervencionismo que vimos em casos como a Vale e a Petrobras. No campo da
política externa, o que se nota são posições mais próximas do partido [PT] que
as da diplomacia brasileira," explicou.
Quando Lula cita o
Holocausto, isso ultrapassa a linha do aceitável por ser um fato único na
história da humanidade. O Holocausto é algo inimaginável até em relação a
outros genocídios, por ter sido um projeto estatal do hitlerismo de eliminar
todos os judeus. Isso é algo inédito na humanidade. Essa palavra 'Holocausto' o
Lula pronunciou por ignorância histórica e causou um choque no povo judeu.
PAULO ROBERTO DE ALMEIDA,
DIPLOMATA E DIRETOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO INSTITUTO HISTÓRICO E
GEOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL
O advogado especialista em
direito internacional Bernardo Pablo Sukiennik argumenta que a classificação do
brasileiro como 'persona non grata', como reação israelense, amplifica a crise
gerada pelo petista.
"Isso quer dizer que essa
pessoa, no caso o Lula, não é mais bem-vinda em Israel. Não há previsão de
visita ao Estado, mas com essa nomenclatura estão deixando claro que, enquanto
o governo for liderado por Isaac Herzog e Benjamin Netanyahu, ele não é
bem-vindo lá".
O diplomata Almeida avalia a
reação israelense como grave, pois não há precedentes na histórica republicana
brasileira deste tipo de movimento e, dessa forma, mostra a gravidade da
situação.
Após a 'persona non grata',
a retaliação pode atingir acordos e tratados de cooperação entre os dois
países. Não creio que chegue a muito, até porque perderiam muito comercialmente,
mas pode ser que seja feita uma espécie de corretivo ao Brasil. Além de
sinalizar aos demais líderes mundiais de que não vão aceitar manifestações com
esse tipo de conteúdo.
PAULO ROBERTO DE ALMEIDA,
DIPLOMATA E DIRETOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO INSTITUTO HISTÓRICO E
GEOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL
"Não necessariamente envolve
romper acordos, porque não seria do interesse do governo nem de empresas
israelenses que exportam ao Brasil, principalmente, na área de segurança, mas
mostra um descontentamento para a manutenção, pelo menos temporária, de
cooperação", acrescenta Almeida.
Parlamentares evangélicos
repudiaram as palavras de Lula
As Frentes
Parlamentares Evangélicas (FPE) do Congresso Nacional e do Senado Federal
repudiaram as palavras de Lula. Em nota, os parlamentares disseram
que comparar os ataques de Israel ao Hamas com o nazismo, que vitimou seis
milhões de judeus, é provocar um conflito ideológico desnecessário.
"Com a ressalva do respeito
às pessoas que inocentemente morrem, Israel, ao contrário de Hitler, está
exercendo o seu direito de sobreviver diante de um grupo com o objetivo de
eliminar os judeus", diz o documento.
Para a FPE, "não é justo
exigir que uma nação se mantenha passiva diante de um ataque covarde que estupra
e mata jovens, idosos e crianças das formas mais horríveis e continua com a
política de se esconder atrás de reféns (civis inocentes)".
Ainda de acordo com a nota,
as verbalizações do presidente "não representam o pensamento da
maioria dos brasileiros e comprometem a política internacional de forma
desnecessária".
Do R7, em Brasília

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!