Brics recebe novos integrantes, mas perde Argentina e não sabe como vai lidar com opiniões tão diferentes | Rio das Ostras Jornal

Brics recebe novos integrantes, mas perde Argentina e não sabe como vai lidar com opiniões tão diferentes

Foto oficial dos líderes do Brics
em cúpula em Joanesburgo. Ricardo Stuckert/PR/Divulgação







Grupo formado por África do Sul,
Brasil, China, Índia e Rússia contará com mais cinco nações em 2024;
especialistas ouvidos pela Jovem Pan destacam os pontos negativos e positivos



A partir de 2024 o Brics, grupo
formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e que representa
atualmente quase um quarto do PIB e 42% da população mundial, além de ser 18%
do comércio global, será ampliado, pois em uma decisão inédita, eles
convidaram Argentina, Arábia
Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Irã a
fazerem parte do grupo. A histórica decisão de ampliar o bloco foi anunciada em
agosto de 2023, após o encontro dos membros fundadores na África do Sul. O
aumento do grupo criado em 2009 e que tinha como característica o fato de ser
constituído por países que estão entre os maiores do mundo em termos de
população, economia e território preocupa os especialistas, que criticam a forma com que os
novos integrantes foram selecionados, sem um critério definido, além do
fato de alguns terem governos autoritários. Antes do anúncio de quem passaria a
integrar o Brics, aproximadamente 40 nações, incluindo Bolívia, Cuba, Honduras,
Venezuela, Argélia e Indonésia, demonstraram o interesse em fazer parte dessa
união.



O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), chegou a declarar na época que “o interesse de vários
países de aderir ao agrupamento é reconhecimento de sua relevância crescente”. Manuel
Furriela, especialista em relações internacionais da FMU, critica essa
nova formação que o grupo vai ter a partir deste ano. “O Brics não se configura
como uma organização internacional, é um grupo de afinidades que foi criado
conceitualmente. Falta uma formatação de organização internacional, uma delas é
definir critério para abrir as portas para novos países”, explica o
especialista. “A escolha desses novos membros foi feita através de preferências
dos participantes atuais. Você tem uma mistura de novos integrantes que não tem
relação entre si e tem incluídos Estados que não são democráticos e países que
apresentam problemas econômicos, como a Argentina”, destaca Furriela, para quem
a única vantagem dessa ampliação é o fato do Brasil poder aumentar suas
relações com outros Estados. O professor destaca o relacionamento como a Arábia
Saudita como uma boa aposta para o governo brasileiro, por conta do petróleo.
“O Brasil pode, a partir de uma relação mais próxima, trazer investimentos dos
fundo soberanos da Arábia Saudita para projetos no país e conseguir mais
oportunidades de exportação, já que é um mercado rico, num país que produz
pouca variedade, até por conta de estar localizado no deserto.”



lávia Ross, professora de
relações internacionais da FESPSP e pesquisadora do Observatório de
Regionalismo (ODR), diz que os aspectos negativos dessa expansão é a
confusão que pode ser criada pelo fato de ter países diferentes, diversos e com
objetivos que não são em comum. “Isso pode criar alguns problemas nos rumos dos
Brics. Não sei como eles vão conseguir criar consenso dentro do bloco. Acredito
que a China será a grande responsável por isso”, projeta a professora. Contudo,
ela diz que essa ampliação faz com que o Brics se fortaleça, principalmente com
o ingresso da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que têm forte
influência no Oriente Médio e se destacam no quesito financeiro. “É um aporte
para o grupo, porque o Brics tem o Banco de Desenvolvimento. Quanto mais
países, mais aporte financeiro vai ter”, explica a professor, que também
destaca o Irã, — apesar de ter um regime autoritário, também é
uma nação influente no Oriente Médio. “Abraça um país como o Irã que sofre
sanções e não deixá-lo tão isolado no cenário internacional… Pode ser positivo”,
considera. Furriela vê com preocupação a entrada dos iranianos pelo fato de o
país estar sob sanção da ONU (Organização das Nações Unidas). Há uma
determinação que proíbe comércio internacional com o Irã por conta de um
bloqueio do Conselho de Segurança. “Como é que você traz um membro para fazer
parte se ele está sob sanções da ONU? Como é que ele vai ter grande
interlocução?”, questiona.





Quando o anúncio da expansão dos
Brics foi feito, algo que chamou atenção foi o fato de que o grupo passou a ter
muitos países com nações autoritárias, o que, de certa forma, poderia ser um
problema para o Brasil, que é uma democracia. Furriela afirma que essas
escolhas fazem com o grupo perca uma premissa inicial de realmente ter valores
e princípios. Para Ross, apesar da preocupação em relação à força brasileira,
quando se olha para a política externa do país, um dos seus pilares é o
pragmatismo. Então, faz sentido estar próximo dessas nações. “O Brasil sempre
colocou sua política externa da seguinte forma no cenário internacional:
fazemos negócios, cooperamos com qualquer país, independentemente de posições
ideológicas e dos regimes desses países”, destaca a professora. “O Brasil faz
negócio, tem relação com democracias e com ditaduras. Desde a democratização,
nos colocamos a favor das democracias e dos direitos humanos, então, desse
ponto de vista, está tudo certo”, enfatiza Ross, que também lembra que outros
países democráticos, como os Estados Unidos e nações europeias, possuem relação
com países autoritários e autocráticas.



Argentina no Brics Javier Milei em seu primeiro
discuto como presidente da Argentina │LUIS ROBAYO / AFP







Havia uma dúvida sobre qual
Argentina entraria no Brics, pois o anúncio foi realizado antes das eleições
presidenciais. Porém, após o resultado final, será um país governado por Javier Milei,
que, durante sua campanha, disse que não aceitaria o convite. Os especialistas
ouvidos pelo portal da Jovem Pan destacam que passar a
integrar o grupo seria benéfico para os argentinos devido aos problemas
internacionais para conseguir crédito — há mais de 20 anos o
país enfrenta uma crise econômica, que piorou no último governo do peronista
Alberto Fernández. “Para ela [Milei], que esta se isolando e tem problemas
internacionais, seria uma vantagem, porque quando ela ingressa, pode conseguir
bons acordos comerciais e novos empréstimos. Os países integrantes têm uma
economia muito representativa, principalmente a China e a Índia”, pontua o
professor Manuel Furriela.



Contudo, apesar de haver uma
expectativa para que Milei aceitasse o convite para fazer parte do Brics, já,
que após assumir o governo argentino, ele reduziu o tom em alguns
posicionamentos — como não querer relação com Lula e Xi
Jinping por considerá-los comunistas —, no final de dezembro o
ultraliberal colocou um fim as dúvidas, ao anunciar que não irá aceitar fazer
parte. No dia 29 de dezembro, ele enviou uma carta a Lula na qual 
informou que rejeita o convite e que não considera que o ingresso no bloco
seria oportuno para o seu país. “Algumas decisões tomadas pela gestão anterior
serão revisadas. Entre elas, encontra-se a criação de uma unidade especializada
para a participação ativa do país no Brics”, afirma Milei. Ele ainda afirmou
que sua visão para a política externa da Argentina difere muito daquela
praticada por seu antecessor. Contudo, reforçou a vontade de manter relações
comerciais próximas com o Brasil. Em caso de aceite, a participação teria
início em 1º de janeiro de 2024.



Por Sarah Américo


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