Presidente da Corte, Luis Roberto
Barroso, e decano, Gilmar Mendes, criticaram proposta aprovada pelo Senado:
‘Não se pode brincar de fazer emenda’
Os ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) comentaram
nesta quinta-feira, 23, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os poderes e
restringe as decisões
monocráticas dos integrantes da Corte. Decano do STF, Gilmar Mendes declarou
que o Supremo Tribunal ‘não admite intimidações’ e que o Legislativo não pode
‘brincar de fazer emenda’. “Esta Casa não é composta por covardes. Esta
Casa não é composta por medrosos. Cumpre dizê-lo com a serenidade, mas com
firmeza e com o desassombro que esse tipo de investida exige de todos nós,
membros desta Casa multicentenária. Este Supremo Tribunal Federal não admite
intimidações”, declarou. O ministro defendeu que não cabe ao Parlamento
intervir nas normas de organização do processo decisório e julgamento de
qualquer Corte, não só o Supremo, ressaltando a cláusula pétrea da separação de
poderes. “Não se pode brincar de fazer emenda constitucional”, reforçou. Ele
afirmou que o STF está preparado para enfrentar as investidas contra a Corte.
“Sem uma Corte constitucional livre e independente, não há democracia nos
termos exigidos pela Constituição de 1988”, concluiu.
O presidente do STF, Luís Roberto
Barroso, também avaliou a medida e afirmou que é comum que as decisões da Corte
desagradem alguns setores. “O Supremo Tribunal Federal não vê razão para
mudanças constitucionais que visem alterar regras do seu funcionamento”,
pontuou. “Não há por que alterar o que vem funcionando bem”, complementou. Ele
também afirmou que o tribunal vê com preocupação avanços legislativos contra
sua atuação. “É inevitável que o Supremo desagrade segmentos políticos,
econômicos e sociais importantes porque ao tribunal não é dado recusar-se a
julgar questões difíceis e controvertidas. Tribunais independentes e que atuam
com coragem moral não disputam torneios de simpatia. Interpretar a Constituição
é fazer a coisa, mesmo quando hajam satisfações”, reforçou.
Com 52 votos favoráveis e 18
contrários, o Senado aprovou nesta quarta-feira, 22, a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que
limita os poderes do Supremo Tribunal Federal e restringe as decisões
monocráticas dos integrantes da Corte. Agora, o texto vai à Câmara dos
Deputados. A proposta restringe as possibilidades de ministros do STF e
desembargadores tomarem decisões individuais, as chamadas decisões
monocráticas. Assim, a PEC impedirá que decisões individuais de ministros
suspendam a eficácia de leis ou atos dos presidentes da República, da Câmara,
do Senado e do Congresso Nacional. O texto também estabelece prazos para os
pedidos de vista nos julgamentos colegiados do Poder Judiciário.
Anteriormente, o presidente do
Supremo, Luís
Roberto Barroso, afirmou que “preferiria
que não houvesse mudanças neste momento”. A discussão sobre o tema ocorre
em meio à tensão entre o STF e o Congresso, com decisões divergentes em pautas,
como o marco temporal para demarcação de territórios indígenas e a
descriminalização do porte de maconha. Para ser aprovada, a emenda precisa
passar pela votação em dois turnos com o apoio mínimo de 49 senadores em cada
um deles. Depois, o texto segue para a Câmara, onde também precisa ser votado
em dois turnos.
Por Jovem Pan

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