De maio a setembro de 2023,
Brasil criou quase 900 mil empregos, número que centrais sindicais avaliam
perder sem a medida
A geração de empregos no Brasil
no pós-pandemia de Covid pode voltar à estaca zero caso o projeto
que prorroga a desoneração da folha de pagamento até 2027 não seja
sancionado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). Dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged) de maio — quando a Organização Mundial da Saúde
(OMS) declarou o fim da emergência de saúde pública de importância
internacional — a setembro mostram a criação de quase 900 mil postos
de trabalho com carteira assinada. Esse número corresponde ao total de
empregos que as centrais sindicais avaliam perder sem a continuidade da
concessão aos 17 setores da economia que mais empregam.
"Hoje, são 9 milhões de
postos de trabalho nos 17 setores que mais empregam no país. Amanhã, esse
número poderá ser reduzido para pouco mais de 8 milhões", analisa o
manifesto conjunto das centrais sindicais direcionado a Lula. "Pedimos que
mantenha esse compromisso com a classe trabalhadora sancionando o
projeto", afirmam os signatários, que representam 40 milhões de
trabalhadores.
Lula tem até 23 de novembro para
sancionar ou vetar o projeto. Caso contrário, ele recebe a chamada sanção
tácita e passa a valer automaticamente. A equipe do governo, contudo, já
estudava vetos antes mesmo da aprovação no Congresso. O ministro-chefe da Secretaria
de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse em 30 de outubro que o
governo não tem compromisso com a sanção integral da desoneração. "Vai ser
analisado pelos ministérios, sobretudo naquilo que fere pela
inconstitucionalidade. Vai ter essa análise pelos ministérios", afirmou.
Por isso, tanto trabalhadores
quanto empresas pressionam pela sanção do projeto de lei. Quase 30
representações patronais assinaram em conjunto um ofício para pedir audiência
com o presidente Lula a fim de expor "com maior profundidade os elementos
que fundamentam a necessária sanção da medida".
"Trata-se de iniciativa
crucial voltada a preservar empregos e solução oportuna enquanto não se aprova
a desoneração linear para todos os setores, o que poderá ocorrer numa etapa
futura da reforma tributária. Enquanto isso, o governo não pode permitir que se
afaste esse modelo e que tenhamos efeitos desastrosos no desemprego e até no
aumento da inflação e dos juros, o que acaba prejudicando a população em geral",
diz o ofício enviado ao presidente.
No documento, os setores afirmam
que a medida é fundamental para a preservação de segmentos que geram 9,24
milhões de empregos formais diretos, além de outros milhões de postos de
trabalho nas redes de produção. A partir de dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged), os representantes observam um crescimento
do número de empregos da ordem de 15,5% com a desoneração, enquanto os setores
que tiveram a folha reonerada cresceram apenas 6,8% no mesmo período.
"Gostaríamos de
apresentar-lhe esses e outros números, como o maior crescimento dos salários
dos trabalhadores desses setores desonerados vis-à-vis aos demais", diz o
ofício ao presidente da República.
Segundo dados da Associação das
Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais
(Brasscom), a desoneração garantiu, em 2022, aumento de 19,5% na remuneração
dos trabalhadores dos setores contemplados. Se a folha não tivesse sido
desonerada, o salário médio desses segmentos seria de R$ 2.033. Com a
desoneração, a média salarial desses trabalhadores subiu para R$ 2.430.
Na avaliação do presidente
emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit),
Fernando Pimentel, a demora na sanção prejudica o planejamento das companhias.
"Estamos em novembro, e os planos para 2024 já estão sendo definidos. Sem
saber o custo de um dos fatores mais importantes, que é o trabalho, ficamos com
muita dificuldade de organizar os negócios. Então, isso enseja insegurança, que
acarreta redução de investimentos, o que, por sua vez, significa perda ou não
geração de postos formais de trabalho", explicou.
Entenda o projeto
O projeto da desoneração foi
aprovado pelo Congresso em 25 de outubro e, desde então, aguarda a sanção
presidencial. Ele se estende a 17 setores da economia, entre eles construção
civil, indústria têxtil e tecnologia da informação.
Pelo texto, a contribuição
previdenciária patronal sobre a folha de salários continuará a ser substituída
por uma alíquota sobre a receita bruta do empregador. A contribuição patronal é
paga por empregadores para financiar a seguridade social.
Em vez de o empresário pagar 20%
sobre a folha do funcionário, o tributo é calculado com a aplicação de um
percentual sobre a receita bruta da empresa, que varia de 1% a 4,5%, conforme o
setor.
A contribuição não deixa de ser
feita, apenas passa a se adequar ao nível real da atividade produtiva do
empreendimento. Assim, as empresas que faturam mais contribuem mais. Com isso,
é possível contratar mais empregados sem gerar aumento de impostos.
Quais são os setores
incluídos?
• Confecção e vestuário
• Calçados
• Construção civil
• Call centers
• Comunicação
• Construção e obras de infraestrutura
• Couro
• Fabricação de veículos e carroçarias
• Máquinas e equipamentos
• Proteína animal
• Têxtil
• Tecnologia da informação (TI)
• Tecnologia da informação e comunicação (TIC)
• Projeto de circuitos integrados
• Transporte metroferroviário de passageiros
• Transporte rodoviário coletivo
• Transporte rodoviário de cargas
• Empregos e salários
Bruna Lima e Clarissa Lemgruber, do R7. em Brasília

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