Os eleitores de Ohio, um
estado-chave no centro dos Estados Unidos, aprovaram nesta terça-feira (8) em
referendo a inclusão do aborto como direito constitucional, segundo projeções
dos principais meios de comunicação do país.
A medida, que garante o “direito
individual ao próprio tratamento médico reprodutivo” na Constituição estadual,
representa um triunfo para o movimento pró-aborto nos Estados Unidos, onde o
acesso a este serviço é cada vez mais restrito em alguns estados.
Com a decisão dos eleitores de
Ohio nesta terça-feira, o estado se torna o sétimo a rejeitar por voto as
restrições ao acesso ao aborto, já que a Suprema Corte derrubou a histórica
decisão Roe vs. Wade, que garantia o direito ao aborto em todo o país, em junho
de 2022.
A medida aprovada também protege
qualquer pessoa ou entidade que ajude uma paciente a receber tratamento médico
reprodutivo e estipula que o Estado não pode “sobrecarregar, penalizar ou
proibir direta ou indiretamente o aborto”.
A alteração à Constituição
estadual aprovada nesta terça-feira não fecha a porta ao legislador estadual
para proibir o aborto após 23 ou 24 semanas, exceto quando a vida da mãe
estiver em risco.
O referendo em Ohio esteve no foco
da atenção nacional, antes das eleições presidenciais de 2024, porque serve
para medir a importância que a questão do aborto tem na mobilização dos
eleitores em estados-chave.
E este estado em particular é
considerado um território “dobradiça”, onde nem os Democratas nem os
Republicanos têm a certeza da vitória nas eleições presidenciais. Embora nas
duas últimas eleições Ohio tenha escolhido o candidato republicano (Donald
Trump, neste caso), nas eleições de 2016 o ex-presidente Barack Obama venceu o
estado.
Desde que a Suprema Corte anulou,
em junho de 2022, a histórica decisão Roe vs. Wade, que protegia a nível
federal o direito das mulheres de fazerem um aborto, quase metade dos estados
do país implementaram regulamentos que restringem ou proíbem completamente o
aborto.
Segundo o Instituto Guttmacher,
vinte e um estados proíbem o aborto após 18 semanas de gestação, e alguns o
restringem antes, situação que tem levado milhares de mulheres a terem que
viajar para outros estados para conseguir um aborto e que afeta especialmente
mulheres de baixa renda, imigrantes e afro-americanos.

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