A 1ª Vara Criminal de Angra
dos Reis aceitou a denúncia do Ministério Público contra Marcos Paulo da Silva
Pinto pela morte e ocultação de cadáver de Viviane Machado Modesto da Silva.
Prisão preventiva foi pedida e cumprida nesta quinta-feira (21).
Policiais da 159ª DP (Cachoeiras
de Macacu) prenderam nesta quinta-feira (21) Marcos Paulo da Silva
Pinto pela
suspeita da morte e da ocultação de cadáver de Viviane Machado
Modesto da Silva, em outubro de 2008.
O juiz Nando Machado Monteiro dos
Santos, da 1ª Vara Criminal de Angra dos Reis, aceitou a denúncia do Ministério
Público contra Marcos Paulo pela morte e ocultação de cadáver de Viviane. O
magistrado só dispensou a acusação de cárcere privado, pois o crime já teria
prescrito.
O magistrado também atendeu
ao pedido de prisão preventiva, feito pelo MP, e que cumprido nesta
quinta.
Ao saber da prisão do ex-genro, a
mãe de Viviane, Maria Salvadora, se mostrou emocionada e disse ter esperanças
em encontrar os restos mortais da filha para dar um enterro digno a ela.
"A morte da minha filha não
vai ficar impune. Quero agora que ele me diga onde estão os restos mortais dela
para eu enterrar. Quero esse homem preso. Tem 14 anos de sofrimento procurando,
mas Deus está me mostrando que isso não vai ficar impune", disse.
O advogado que representa a
família de Maria Salvdora, Marcos Moraes, disse ainda que vai tentar assegurar
que Marcos Paulo não seja liberado por ter problemas de saúde.
"Ele não pode ficar em
liberdade", enfatizou.
Mãe nunca desistiu de buscar
A história de Maria Salvadora e
de sua busca de Viviane Machado foi mostrada em junho
deste ano no RJ2.
Os repórteres Bette Lucchese e
Rafael Nascimento foram até São Gonçalo ouvir
a história da mãe que nunca
parou de procurar pelo paradeiro da filha e do neto, que sumiu junto com
ela, mas foi reencontrado 14 anos depois.
Viviane foi atraída por Marcos
Paulo em outubro de 2008, depois dele pegar o filho deles para passar um fim de
semana e não devolver. Com o pretexto de rever o filho, ela foi ao encontro do
ex-marido, em Cabo Frio,
na Região dos Lagos, e desapareceu.
"Foi a última vez [que a
vi]. Depois, só pelo telefone, ela pedindo para a Janaina, a minha filha do
meio. Pedia para que fosse na cidade onde ela estava, que ela estava presa em
uma casa e que o Marcos não queria que ela fosse embora", contou Maria
Salvadora para os repórteres.
Avó reencontra neto 15 anos após
pai o sequestrar e segue busca pela filha: 'Antes de morrer, vou achar'
Maria Salvadora procurou a
polícia, e em novembro de 2008, regstrou o caso como sequestro e cárcere
privado na Delegacia da Mulher de São Gonçalo (Deam).
Maria espalhou cartazes por
várias cidades, com fotos da filha, do neto e do ex-genro. Além disso, juntou
dinheiro para fazer buscas. Deixou de viver a própria vida para viver uma
angústia sem fim.
Dez anos depois, novas pistas
Dez anos depois, novas
informações sobre o paradeiro da filha e do neto fizeram Maria procurar a
polícia. O boletim de ocorrência foi feito na Delegacia de Homicídios de
Niterói e São Gonçalo.
No depoimento, ela contou aos
investigadores que um parente do ex-genro “informou que procurasse Viviane nos
necrotérios e hospitais".
E que foi procurada por outra
pessoa que dizia que Marcos havia matado sua filha. Mesmo com a nova denúncia,
as investigações nunca andaram.
Ela só reencontrou o neto em maio
desse ano, depois do telefonema de um parente do ex-genro, que contou que o
neto estava passando necessidade.
Ela foi ao encontro do jovem e,
em depoimento à polícia, ele contou detalhes da vida que levava.
Disse que morava em Cachoeiras de
Macacu com o pai, os irmãos e a madrasta havia cinco meses. E que lembra apenas
“que anteriormente morava em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, com as mesmas
pessoas."
Ele disse também que "não se
recorda da mãe, pois desde que se entende por gente, não lembra de ter contato
com ela, e sim com outras mulheres que seu pai teve ao longo da vida.”
Parte do depoimento do jovem
embasa a denúncia do Ministério Público contra Marcos Paulo.
O garoto contou ainda que, sempre
que ele perguntava pela mãe, apanhava ou era jurado de morte pelo pai.
Ele não tinha documentos, nunca
tinha frequentado a escola, e disse que foi alfabetizado em casa, pela
madrasta.
O jovem disse ainda que o pai
está em uma cadeira de rodas, com sequelas de um acidente vascular cerebral
(AVC) que sofreu em 2021.
Em busca de respostas
Na época, a reportagem foi até
Cachoeiras de Macacu, a 100 quilômetros do Rio, e achou Marcos Paulo na varanda
de uma casa, sem conseguir falar.
A mulher, que foi casada com ele
por dez anos, disse que só recentemente havia percebido que Marcos Paulo
contava mentiras, e que dizia que Viviane "tinha ido embora com outro
homem e tinha abandonado eles."
Por Bette Lucchese, Rafael
Nascimento, Eliane Santos, TV Globo e g1 Rio



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