Ao todo, estão sendo cumpridos 16
mandados de busca e apreensão; membros do grupo teriam adquirido mais de 9 mil
coletes balísticos com sobrepreço de R$ 4,6 milhões
A Polícia Federal (PF)
deflagrou nesta terça-feira, 12, a Operação Perfídia, que tem como
objetivo investigar supostas fraudes e irregularidades cometidas por
empresários e membros do Gabinete de
Intervenção Federal do Rio de Janeiro, em
2018. Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nos
Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A
investigação apura os crimes de patrocínio de contratação indevida, dispensa
ilegal de licitação, corrupção ativa e passiva e organização criminosa que
teriam sido praticados durante a compra de 9.360 coletes balísticos com
sobrepreço realizada pelo Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro. De
acordo com a PF, a compra dos itens de segurança aconteceu com sobrepreço de R$
4,6 milhões. O contrato entre o Gabinete e a empresa foi celebrado em dezembro
de 2018, após dispensa de licitação no valor total de R$ 40,1 milhões,
incluindo o sobrepreço.
A investigação começou após
a Agência de Investigações de Segurança Interna (Homeland
Security Investigations – HSI), dos Estados Unidos,
informar as autoridades brasileiras que a empresa estrangeira e o governo
celebraram o contrato com sobrepreço. Os americanos descobriram o crime
enquanto investigavam o assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moises, em
julho de 2021. A empresa em questão ficou responsável pelo fornecimento de
logística militar para auxiliar na derrubada de Moises. Após ser comunicado do
crime, o Tribunal de Contas
da União (TCU) encaminhou ofícios sobre as compras, apontando
indícios de conluio entre as empresas, estimando o valor de R$ 4,6 milhões de
sobrepreço. A empresa recebeu o valor total do contrato no dia 23 de janeiro de
2019. No entanto, após a suspensão do contrato pelo TCU, o valor foi estornado
no dia 24 de setembro de 2019. A Operação também investiga o conluio entre
empresas brasileiras do ramo de comércio e proteção balística que,
supostamente, formam um cartel no Brasil, possuindo milhões em contratos
públicos.
Por Jovem Pan

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