
Foto: Alexandre Simonini
No finalzinho do inverno, já com temperatura de verão, 55 motoristas e
quinze motociclistas que passaram pelo quilômetro 74 da rodovia BR-116, na
altura do bairro de Três Córregos, em Teresópolis, só sentiram mesmo o calor
humano. Para celebrar a Semana Nacional de Trânsito, a Coordenadoria de Ação
para o Trânsito do Detran.RJ, em parceria com a Operação Lei Seca, a
Concessionária EcoRioMinas e a Polícia Rodoviária Federal, realizou a “Operação
Educação no Trânsito”, uma blitz educativa. O evento, um alerta para a
população sobre os altos índices de acidentes nas estradas, teve aliados,
eficientes como sempre: óculos que simulam o estado de um motorista depois de
consumir álcool e drogas ilícitas.
Na abordagem, os agentes ressaltaram a importância de escolhas seguras
no trânsito, nunca deixando de cumprir as regras. “Reforçamos aos motoristas
que eles devem sempre orientar quem os acompanha para usar o cinto de segurança
no banco de trás. Essa regra, infelizmente, ainda não pegou”, lamentou Gisele
Mendes, agente de Educação do Detran.RJ. “Mas quem passou por aqui entendeu a
mensagem”.
O administrador aposentado Nilton Alberto, de 70 anos, sorria depois
de fazer o teste. Estava feliz com a experiência. “Fiquei completamente
anestesiado. Você, quando fica bêbado, perde o controle de tudo”, se
surpreendeu. “Beber a dirigir realmente não combina com nada”. O aposentado
Paulo Falcão, de 65 anos, que dirige há pelo menos quatro décadas, se orgulha
de nunca ter sofrido uma multa. E diz que pretende seguir as regras depois do
teste. “Foi uma péssima sensação. Fiz o circuito dos cones praticamente cego,
Realmente um perigo”, se espantou.
“Acidentes mais fatais são provocados por quem não usa cinto de segurança no banco de trás”, alerta Raquel. A motociclista Teresa Raquel Taveira, de 38 anos, saiu do teste impressionada. “Derrubei dois cones, ou seja, causei dois acidentes”. Administradora, arriscou uma receita para a segurança nas estradas. “É fundamental que você descanse de 10 a 30 minutos numa viagem”. Raquel dá um recado para quem usa carro. “A gente é responsável pelas nossas vidas e pela vida dos outros”. E reforça a mensagem do Detran.RJ. “Nos acidentes os casos mais fatais são provocados por quem não usa o cinto de segurança no banco de trás”.
“Em empresas multinacionais, éramos obrigados a fazer exames de
direção defensiva”, diz Born. Prevenção contra acidentes de trânsito não é
novidade para Heraldo Born. ”Uso cinto desde sempre, desde a época em que não
era obrigatório. Não imaginava o que sentiria antes de colocar os óculos. Como
pude ficar tão desequilibrado?”, se espantou. Aos 72 anos, o engenheiro Born
saiu feliz do teste e aponta um caminho. “Trabalhei em empresas multinacionais.
Lá éramos obrigados a fazer exames anuais de direção defensiva.”
“Quem vive a rotina do SUS, sabe da importância dessas ações”, reforça
Cristina . A médica Cristina Guimarães Heringer, 38 anos, ainda tinha muita
estrada a encarar. Estava com pouco tempo, mas fez questão de participar do
teste. “É uma campanha que sempre tem que haver. Eu, que vivo a rotina do SUS,
sei da importância dessas ações”, reforçou. E se despediu com bom humor. “Se
quiser beber, que seja um café”, deu a receita.
“Não dá pra deixar de usar o cinto no banco traseiro”, aconselha IIze.
Com as mãos para o alto, como se estivesse rezando, a professora Ilze Santana,
de 60 anos, cumpriu o circuito com muita dificuldade. “Não estou enxergando
nada!”, alertava, rindo para a agente. Depois do teste, se espantou com o
resultado. “Fiz de uma forma muito intuitiva. É assustador como não se enxerga
nada”, disse. Ilze lembrou que o motorista deve garantir a sua segurança
e de quem o acompanha. “Não dá pra deixar de usar o cinto no banco traseiro”.
“Nunca bebi na vida, mas paguei pelo erro de quem bebeu”, diz Silva.
Depois dos testes no Detran.RJ, os motoristas ouviram histórias e alertas dos
agentes de Educação da Operação Lei Seca. “Nunca bebi na vida, mas paguei pelo
erro de estar no carro de um motorista que tinha bebido”, disse Orlando da
Silva, de 49 anos, que se acidentou em 2012. Oito anos antes, seu colega
Marcelo Santos viu o destino mudar. Voltando de moto da Região dos Lagos,
flagrou um carro em zigue-zague. Acelerou para socorrer o motorista, imaginando
que ele estivesse desmaiado. Ao se aproximar, foi atingido com violência. Ficou
paraplégico. “Não foi acidente. Acidente você não pode prever. O cara que bebe
sabe que pode acontecer alguma coisa muito ruim. Se não acontece, é exceção”,
alerta. Aldo Torres, chefe de Orlando e Marcelo, lembrou da ótima interação com
o Detran. RJ. “Tem que haver ainda mais”, torce.
“Todos nós somos atores na realidade das estradas”, ressalta Santos
Silva. Alehandro dos Santos Silva, coordenador de Tráfego da Concessionária
EcoRioMinas, parceiro constante, ressaltou a importância de conscientizar a
população. “Todos nós somos atores. Motoristas, motociclistas, caminhoneiros,
pedestres. Temos que nos conscientizar para a realidade das estradas”. Ricardo
Alves, agente da Polícia Rodoviária Federal, lembrou de um dado importante. “O
comportamento dos motoristas é o principal fator nos acidentes. A atitude deles
é fundamental para que os índices de violência diminuam”, encerrou.
Motoristas e motociclistas seguiram viagem com um lanche e o Código de Trânsito Brasileiro na bagagem.
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