9/26/2023

Guia de turismo levado de helicóptero do topo de serra para ser transplantado quase recusou órgão por acreditar que não chegaria a tempo

Ricardo Medeiros foi resgatado e levado para fazer o transplante
 na Santa Casa de Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Divulgação

Ricardo Medeiros recebeu ligação quando estava a 7.500 pés de altitude na Serra dos Órgãos e contou com mobilização dos bombeiros para chegar duas horas depois em Juiz de Fora e receber novo rim.

Mesmo diante do sonho de receber um novo rim, o condutor de atrativos naturais Ricardo Medeiros de Oliveira, de 48 anos, chegou a duvidar que conseguiria sair da Região Serrana do Rio de Janeiro e chegar em Juiz de Fora (MG) em tempo hábil para realizar o esperado transplante.

Para isso, teria que descer mais de 2 km e percorrer outros 150 km até a Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora em, no máximo, três horas. Conforme ele, somente a descida da Pedra do Sino, na Serra dos Órgãos, duraria em torno de 4 horas.

“Quando a gente tava no cume da Pedro do Sino, o hospital [Santa Casa] tentou contato comigo, mas não conseguiu. Aí ligou para a clínica que faço diálise em Petrópolis, e eles entraram em contato comigo. Por Deus a gente conseguiu sinal lá em cima para eles conseguirem falar comigo”, explica ele, que aguardou o transplante por nove anos.

Segundo ele, na conversa que teve com a funcionária da clínica pelo telefone, o sentimento era de descrença.

“Falei que infelizmente eu não ia conseguir, pois seriam necessárias cerca de quatro horas para descer. Meu psicológico na hora ficou abalado, pois a gente espera tanto e aconteceu num lugar daquele”.

Quarenta minutos depois, no entanto, com mobilização dos batalhões de Teresópolis e Rio de Janeiro, um helicóptero chegou até Ricardo e, em menos de duas horas, ele estava em Juiz de Fora para o transplante.

A chegada da aeronave foi filmada por integrantes do grupo que estava com o guia, e os vídeos repercutiram nas redes sociais. 

Gratidão aos bombeiros

A busca pelo paciente que receberia o rim em Juiz de Fora mobilizou dois helicópteros e 10 bombeiros de Rio de Janeiro e Teresópolis.

A desconfiança inicial do morador de Petrópolis, transplantado uma primeira vez em 1998 e desde 2011 realizando sessões de diálise, logo deu início à empolgação para a realização do sonho.

“Não levei muita fé, pois nunca vi isso acontecer, mas fiquei lá em cima esperando. Foi uma mistura de emoção muito grande: não sabia se eu ria, se chorava, se acreditava, se desconfiava, se realmente ia acontecer. Foi uma euforia só”.

Ricardo com os bombeiros que o ajudaram a chegar a tempo
 do transplante em Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Na segunda-feira (25), já transplantado, Ricardo fez questão de demonstrar a gratidão aos bombeiros.

“Uma gratidão imensa a todo mundo que fez parte para que isso acontecesse, ao empenho dos bombeiros, à disponibilidade, à agilidade. Sou muito grato a Deus por tudo que aconteceu, por mais uma oportunidade de viver completamente de novo”.

A coronel Rachel Lopes, comandante do Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), festejou o sucesso da operação que foi uma verdadeira corrida contra o tempo.

“Foi uma ação desafiadora devido às condições climáticas instáveis na região e à localização da vítima, mas estávamos determinados, como sempre, a fazer o impossível, com toda a dedicação, para superar os obstáculos em prol da vida”, afirmou.

Ricardo Medeiros de Oliveira passou por transplante 
na Santa Casa de Misericórdia. 
Foto: Santa Casa de Misericórdia/Divulgação

Por g1 Zona da Mata — Juiz de Fora

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!