9/08/2023

Área técnica do TCU diz que há presentes recebidos por Bolsonaro que não foram registrados

Bolsonaro teria recebido presentes não registrados. 
VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL - 12.7.2023

Relatório também sugere que seja determinado à Presidência da República que apure existência de outros bens

Um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) propõe que a Corte determine à Presidência da República que, no prazo de 120 dias, reavalie a incorporação ao acervo privado de Jair Bolsonaro (PL) todos os presentes recebidos por ele entre 2019 e 2022, quando era presidente da República. O documento diz que há presentes recebidos pelo ex-presidente que não foram registrados. "Essas constatações são decorrentes de deficiências existentes no processo de trabalho correlato ao recebimento e à incorporação desses bens", afirma o texto da área técnica.

O relatório detalha auditoria realizada a pedido da deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) a respeito de indícios de irregularidades na tentativa de entrada no país de presentes ofertados pela Arábia Saudita à comitiva de Bolsonaro.

O relatório também sugere que seja determinado à Presidência da República que, no prazo de 180 dias, apure em processo administrativo a existência de outros bens ofertados ao ex-presidente da República, à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a parentes ou a quaisquer outras pessoas que fizeram parte da comitiva presidencial em eventos oficiais.

"Dos 240 presentes provenientes de autoridades estrangeiras incorporados no acervo privado, foi identificado que 111 não se revestem da característica de natureza personalíssima ou de consumo direto pelo Presidente da República, razão pela qual deveriam ter sido incorporados ao patrimônio da União. Além disso, dos 129 itens restantes, pelo menos 17 possuem características que indicam se tratar de bens de elevado valor comercial, razão pela qual também deveriam ser incorporados ao patrimônio da União", disse a área técnica. 

R7 entrou em contato com os advogados de Bolsonaro, que ainda não se manifestaram. Em agosto, a defesa do ex-presidente disse que ele "jamais se apropriou ou desviou quaisquer bens públicos".

Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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