Até agora, 41 parentes dos desaparecidos forneceram amostras de DNA; Biden vai viajar para ilha na segunda-feira, 21, e se reunirá com socorristas, sobreviventes e funcionários
Passou dos 100 o número de mortos do Havaí devido aos incêndios que atinem a ilha. Segundo o balanço divulgado na noite de terça-feira, 6, são 106 mortes, e as autoridades temem que a quantidade dobre. Na terça-feira, levantou-se a possibilidade de encontrar de 10 a 20 corpos por dia. Os dois primeiros mortos identificados são dois homens de 74 e 79 anos, Robert Dyckman e Buddy Jantoc, naturais de Lahaina, a cidade mais atingida pela tragédia. Mais três pessoas foram identificadas e seus nomes serão divulgados quando suas famílias forem notificadas. Um necrotério provisório, com vários contêineres refrigerados instalados ao redor da ilha, foi criado pelas autoridades, que também convocaram funcionários do Departamento de Saúde para tentar agilizar o complicado processo de identificação das vítimas. As missões de buscam seguem ativas. O governador do arquipélago, Josh Green, alertou que o balanço final do incêndio que devastou na semana passada a cidade de Lahaina – o mais letal nos Estados Unidos em mais de um século. Até o momento, apenas 32% da área afetada em Lahaina, no litoral oeste da ilha de Maui, foi rastreada por cães farejadores treinados para missões de busca por corpos, segundo Green.
O processo para identificar as
vítimas avança lentamente. Em entrevista à emissora ‘CNN’ na
noite de terça-feira, o governador do Havaí, Josh Green, disse que será “muito
difícil” identificar os mortos e pediu às famílias dos desaparecidos que se
apresentem e forneçam amostras de DNA. Para isso foi criado um Centro de
Assistência Familiar no Centro Comunitário de Kahului. Até agora, 41 parentes
dos desaparecidos forneceram amostras de DNA. A identificação, disse
Green, levará semanas, já que muitos dos restos encontrados são irreconhecíveis
e as impressões digitais raramente podem ser usadas, razão pela qual
os investigadores devem desenvolver perfis de DNA e combinar amostras de
parentes. Centenas de pessoas ainda são consideradas desaparecidas, mas o
número diminui à medida que os sistemas de comunicação são restabelecidos na
ilha.
Em entrevista coletiva por
telefone realizada na terça-feira, o diretor do Escritório de Resposta da
Administração para Preparação e Resposta Estratégica (ASPR), Jonathan Greene,
explicou que o governo dos EUA enviou uma equipe forense ao Havaí para ajudar
na identificação das vítimas. O governador Green observou que muitos dos restos
humanos encontrados até agora estavam em uma estrada à beira-mar. “Quando
entramos nas casas, não temos certeza do que veremos, embora esperemos e
rezemos para que não haja um grande número (de mortos)”, afirmou à ‘CNN’.
Em Lahaina, que tinha 12
mil habitantes antes da tragédia, mais de 2.000 edifícios foram destruídos. O
presidente dos Estados Unidos, Joe Biden,
anunciou que pretende viajar ao Havaí com a primeira-dama Jill “assim que
possível”, mas destacou que não deseja interferir os trabalhos de resgate.
Segundo a porta-voz do chefe de Estado, Karine Jean-Pierre, Biden vai
para ilha de Maui na segunda-feira, 21 de agosto. O presidente
americano “se reunirá com socorristas, sobreviventes e funcionários”, anunciou
em um comunicado, acrescentando o que o líder norte-americano quer avaliar
pessoalmente “o impacto dos incêndios” e falar dos “próximos passos” nas
operações de resgate.
O presidente democrata lidera
“uma resposta de todo o governo” federal e “se comprometeu a fornecer ao povo
do Havaí tudo o que precisa”, disse seu porta-voz. A Casa Branca acredita que
as operações de busca de vítimas alcançarão, na próxima semana, um grau que
permita uma visita presidencial, a qual mobiliza importantes recursos
logísticos e de segurança. Biden assinou uma declaração de catástrofe natural
para permitir a liberação de recursos às equipes de emergência e reconstrução.
A oposição republicana considera insuficiente sua resposta aos incêndios, os
mais letais em mais de um século nos Estados Unidos. O presidente americano
mencionou os incêndios na quinta-feira passada, e de forma breve, mas não fez
isso quando o número de vítimas aumentou, exponencialmente, no último fim de
semana. A gestão da crise foi muito criticada e vários moradores afirmaram que
se sentiram abandonados pelas autoridades.
Mais de uma semana após o
incêndio devastador, as autoridades de Maui tentam proporcionar abrigo aos
sobreviventes que perderam quase tudo. Quase 2.000 alojamentos (quartos de
hotel, estabelecimentos Airbnb ou de particulares) estão acessíveis de modo
gratuito para os residentes por pelo menos 36 semanas. As polêmicas sobre
a gestão da crise são cada vez maiores. Muitos moradores afirmam que algumas
equipes de bombeiros não conseguiram atuar rapidamente porque os hidrantes
estavam secos ou com fluxo muito baixo. A operadora Hawaiian Electric
também é criticada por não ter desligado a energia elétrica, apesar do elevado
risco de incêndio e dos fortes ventos procedentes de um furacão que passava ao
sudoeste de Maui. Os incêndios acontecem em um verão (hemisfério norte)
marcado por eventos extremos em todo o mundo, como os incêndios sem precedentes
no Canadá, todos relacionados com as mudanças climáticas, de acordo com os
cientistas.
Por Jovem Pan
*Com informações das agências
internacionais


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