Europol define a organização criminosa brasileira da mesma forma que as máfias internacionais
A Europol, a polícia europeia, usou a expressão "cartel" para designar o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa nascida nos presídios paulistas na década de 1990. O termo foi inserido em comunicado no relatório de maio de 2023 sobre a operação contra o tráfico de drogas na Espanha e em Portugal, em parceria com as polícias nacionais dos países e a Polícia Federal brasileira.
Uma operação policial
internacional apoiada pela Europol levou ao desmantelamento de um cartel
brasileiro que inundava a Europa com cocaína.
TRECHO DO COMUNICADO DA EUROPOL
A operação de maio foi um
desdobramento de uma apreensão, em junho de 2022, de 800 quilos de cocaína
escondidos num contêiner com sacos de açaí congelados saídos do Brasil, no
porto de Sines, Portugal.
A Europol explica que a razão
para chamar o PCC de cartel é a concentração dentro do mesmo grupo criminoso
das tarefas de venda e transporte de drogas para outros países e, sobretudo,
ter pessoas da própria organização responsáveis pela lavagem do dinheiro.
"Os cartéis de drogas são
grandes e sofisticadas organizações criminosas compostas de várias organizações
e células de tráfico de drogas que se reúnem para controlar toda a cadeia do
tráfico de drogas, incluindo transporte e lavagem de dinheiro. Como tal, o PCC
é considerado um cartel de drogas pela Europol", explica a vice-porta-voz
da polícia europeia, Claire Georges.
Em São Paulo, a Polícia
Civil apreendeu no dia 28 de julho 50 veículos de luxo, como um McLaren
avaliado em R$ 1,5 milhão. Os Porsches, Ferraris, Audis e outros carros
caríssimos seriam usados para lavar o dinheiro da droga pelo PCC. Eles estavam
em agências de veículos supostamente ligadas à organização.
Membros do PCC morando na
Europa
Também foi perguntado à Europol
sobre o mapeamento da quantidade de integrantes do PCC que vivem na Europa,
servindo como representantes comerciais da organização para negociar o envio de
cocaína do Brasil para lá em acordos comerciais com as máfias europeias, como a
italiana 'Ndrangheta.
"A Europol não pode fazer
nenhum comentário sobre a presença de membros do PCC na Europa especificamente.
O que podemos dizer é que, nos últimos anos, o crime organizado brasileiro de
forma mais geral tem tentado se estabelecer na Europa, particularmente quando
se trata de tráfico de cocaína. Da mesma forma, as organizações europeias de
narcotráfico estão cada vez mais presentes no Brasil", diz Claire Georges.
Ela ainda acrescenta: "Por
causa disso, a Europol intensificou sua cooperação estratégica com o Brasil, e
a Polícia Federal brasileira agora tem dois agentes de ligação destacados na
sede da Europol, em Haia. Esses agentes de ligação juntaram-se a uma rede de
mais de 250 agentes de ligação de mais de 50 países e organizações com
representação permanente na Europol".
PCC entra na lista de
organizações perigosas nos EUA
O governo dos Estados Unidos
incluiu o PCC na lista de risco para ameaças da segurança nacional do país, ao
lado da tríade chinesa, a máfia italiana e a japonesa Yakuza.
André Azeredo



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