Na véspera do início da cúpula
anual da Aliança, líder turco impôs condições para aceitar o país nórdico;
chanceler alemão criticou a decisão
O presidente da Turquia, Recep
Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira, 10, que vai apoiar o ingresso
da Suécia na Organização do Tratado
do Atlântico Norte (Otan), mas, antes, a União
Europeia deve retomar as negociações para ingresso da Turquia ao
bloco. “Primeiro abram o caminho para a adesão da Turquia à União
Europeia e depois abriremos o caminho para a Suécia, como abrimos o caminho
para a Finlândia”, declarou Erdogan na véspera do início da cúpula anual da
Otan na Lituânia, concentrada no apoio militar à Ucrânia ante a invasão russa.
As negociações entre Turquia e a UE estão bloqueadas há vários anos. No final
de 2020, a Comissão Europeia estimou que a adesão de Ancara estava “em ponto
morto” devido a decisões contrárias aos interesses da UE por parte de seus
líderes. Erdogan deve se encontrar com o primeiro-ministro sueco, Ulf
Kristersson, e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, nesta
segunda-feira.
A Suécia e a vizinha Finlândia
encerraram décadas de não-alinhamento militar para se candidatarem à adesão à
Otan, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. A Finlândia entrou
oficialmente em abril. O presidente turco continua criticando a Suécia por sua
suposta clemência em relação aos militantes curdos refugiados em seu
território. Erdogan também se encontrará com o presidente dos Estados Unidos,
Joe Biden, na capital da Lituânia, Vilnius. Turquia e Hungria são os
dois últimos países da Aliança Atlântica que se opõem à entrada da Suécia,
apesar das medidas tomadas pelo país escandinavo, como a reforma constitucional
e a adoção de uma nova lei antiterrorista. Diante das exigências do líder
turco, chanceler alemão, Olaf Scholz, reagiu imediatamente, e criticou a
condição. Ele garantiu que a candidatura da Turquia ao bloco europeu “não está
relacionada” com a adesão da Suécia à aliança.
Em relação à adesão da Ucrânia à
aliança militar, a organização deve eliminar um importante obstáculo no
processo: a exigência do chamado Plano de Ação para a Adesão, um dispositivo
que estabelece uma série de objetivos de reforma. Os aliados “estão
dispostos” a eliminar essa exigência para a candidatura de adesão da Ucrânia,
disse um funcionário ocidental da aliança, que pediu para não ser identificado. O
plano “é apenas uma das etapas do processo de adesão à OTAN. Mesmo que seja
eliminado, a Ucrânia terá de fazer outras reformas antes de ingressar na Otan”,
disse a mesma fonte. “Não acho que esteja pronta para ingressar na OTAN”, disse
Biden à rede CNN, acrescentando que também não há unanimidade entre os aliados
sobre a integração da Ucrânia “no meio de uma guerra”. “Estaríamos em guerra
com a Rússia se esse fosse o caso”, alertou. O ingresso a curto prazo parece,
no entanto, descartado..
O Kremlin considera que a
entrada de Kiev na aliança seria “muito negativa” para a segurança na
Europa. Para contrabalançar essa posição e mostrar seu apoio, vários
pesos-pesados da Otan negociam possíveis compromissos de fornecimento de armas
de longo prazo para Kiev, especialmente porque as forças ucranianas lançaram
uma contraofensiva em junho para retomar as áreas ocupadas pela Rússia. As
tropas ucranianas avançam lentamente, porém. Na guerra, nesta segunda-feira, a
Ucrânia anunciou ter liberado 14 km² de território na semana passada, ou um
total de 193 km² Ucrânia desde junho, e recuperado algumas posições-chave perto
de Bakhmut (leste).
Por Jovem Pan



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