No plenário, 18 parlamentares
rejeitaram a indicação do advogado de Lula na Lava Jato; vaga é preenchida após
a aposentadoria de Ricardo Lewandowski
O Senado Federal aprovou por 58
votos contra 18, nesta quarta-feira, 21, a indicação de Cristiano Zanin como
novo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF). Com o ingresso do advogado na Corte, o STF
volta a ter 11 ministros em sua composição. Desde o dia 11 de abril, há uma
cadeira vaga na mais alta instância do Judiciário brasileiro após a
aposentadoria do ex-ministro Ricardo Lewandowski. Cristiano, que advogou para o
presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) nos processos que dizem respeito à Operação Lava
Jato, também foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça mais cedo, numa
votação cujo placar foi de 21 votos favoráveis e 5 contrários. Com 58 votos,
Zanin empata com Dias Toffoli como quarto ministro mais votado entre os atuais
integrantes da Corte.
Indicado à Suprema Corte pelo seu
antigo cliente e hoje presidente da República, o advogado precisou responder
aos senadores perguntas sobre suposta impessoalidade na indicação – em razão da
proximidade do profissional com o líder petista -, bem como seu posicionamento
sobre futuros julgamentos que envolvem o Partido dos Trabalhadores ou temas
sensíveis à opinião pública, como legalização das drogas e aborto. O presidente
da CCJ, senador Davi
Alcolumbre (União Brasil), praticamente esvaziou a sessão ao dar
início à votação ainda enquanto Zanin era questionado pelos parlamentares. “Nos
bastidores, não se fala se será aprovado, já está se discutindo o placar”,
disse a senadora Damares
Alves (Republicanos-DF), que prometeu votar contra a indicação por
entender que, pela proximidade entre Lula e Zanin, a escolha fere o princípio
da impessoalidade.
Alvo principalmente de perguntas
sobre sua relação com o atual presidente, Zanin afirmou que vai atuar com
imparcialidade e defender a Constituição. Ele disse que poderá se declarar
impedido de analisar processos nos quais atuou como defensor, como os de Lula,
mas que não considera necessário ficar de fora de todos os julgamentos sobre a
operação Lava Jato.
“A etiqueta Lava Jato não é um critério de controle jurídico”, alegou. Outro
tema polêmico citado inúmeras vezes durante a sabatina foi a liberdade de
expressão. Sobre o assunto, Zanin defendeu a “extrema importância” do
princípio, mas lembrou que há limites. “[Liberdade de expressão] não protege o
cometimento de crime. Não é um direito absoluto. Pode e deve ser exercido, mas
com limites”, afirmou. Em entendimento semelhante, o advogado também foi
instigado a se manifestar sobre a liberdade religiosa e também defendeu o
direito constitucional, com ressalvas. “Estado é laico, mas assegura a
liberdade de crença, liberdade religiosa, a todos os cidadãos. Liberdade
religiosa não pode extrapolar e ofender terceiro”, pontuou.
Por Jovem Pan

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