Reajuste de 0,25 ponto percentual
representa oitava alta consecutiva para controlar processo inflacionário
desencadeado após a ofensiva da Rússia contra a Ucrânia
O Banco Central Europeu (BCE) aumentou
a taxa de juros em 0,25 ponto percentual pela oitava vez consecutiva. A decisão
divulgada nesta quinta-feira, 15, é uma tentativa de conter a inflação na zona do
euro. Segundo estimativas da organização, o nível inflacionário continuará
“muito alto” nos próximos meses. A presidente do BCE, Christine Lagarde,
considerou “muito provável” que haja novos aumentos na próxima reunião da
instituição em julho, porque ainda há um “caminho a percorrer” para conter a
alta de preços na zona do euro. O BCE indicou em comunicado que as suas
decisões futuras “garantirão” que as suas principais taxas de juros “atinjam
níveis suficientemente restritivos para permitir que a inflação volte
rapidamente à meta de médio prazo de 2%”. “Permanecerão nesses níveis pelo
tempo que for necessário” e a instituição tomará suas decisões com base nos
dados e nas projeções econômicas atuais, acrescentou. Depois de uma década de dinheiro
barato, o BCE iniciou um ciclo sem precedentes de ajuste monetário para conter
o aumento dos preços ao consumidor após a ofensiva da Rússia na Ucrânia. Ao
aumentar as taxas, os bancos centrais reduzem sua demanda de crédito e,
portanto, o investimento e o consumo das famílias e das empresas, tendo como
consequência a desaceleração da demanda e a pressão sobre os preços. Desde
julho de 2022, o BCE aumentou suas taxas em 4 pontos percentuais.
O aumento de preços na zona do
euro caiu para 6,1% na comparação anual em maio, longe do recorde de 10,6% em
outubro, mas também longe da meta de 2% do BCE. Segundo as novas projeções da
instituição, a inflação chegará a 5,4% em 2023, ante 5,3% previstos em março, e
cairá para 3,0% em 2024 e 2,2% em 2025. A entrada da zona do euro em
recessão não afetou a determinação da instituição: o Produto Interno Bruto
(PIB) dos 20 países que compartilham a moeda única caiu 0,1% entre janeiro e
março, após uma queda da mesma magnitude no trimestre anterior. Ao
perceber essa desaceleração, o BCE revisou para baixo suas previsões de
crescimento e agora espera um crescimento do PIB de 0,9% este ano, acima do
1,0% previsto anteriormente. A previsão é de uma expansão econômica de 1,5% em
2024 e 1,6% em 2025. “O Banco Central Europeu continua seu ciclo de
aumentos e não anuncia sinais de pausa [nos aumentos de juros] no futuro
previsível”, disse Carsten Brzeski, do ING Bank. Segundo Isabel
Schnabel, membro do comitê executivo do BCE, os efeitos da política monetária
não serão imediatos e serão sentidos sobretudo em 2024, embora ainda haja “uma
grande incerteza sobre a força e a velocidade deste processo”.
O Banco Central dos Estados
Unidos (Fed) decidiu na quarta-feira, 14, deixar suas taxas inalteradas, depois
de dez aumentos consecutivos, para se dar tempo de avaliar a situação. Mesmo
assim, as autoridades do Fed planejam aumentar as taxas novamente no final de
2023. A China, por outro lado, cortou sua principal taxa de juros
nesta quinta-feira, com o objetivo de impulsionar o crescimento na segunda
maior economia do mundo, após a divulgação de dados decepcionantes. As vendas
de varejo do gigante asiático, principal indicador do consumo das famílias,
aumentaram 12,7% na comparação anual em maio, ante 18,4% no mês anterior, e o
índice de desemprego entre os jovens de 16 a 24 anos subiu para 20,8%, um
recorde.
Por Jovem Pan
*Com informações da agência
AFP

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