Para tratar da questão, o governo dos Estados Unidos disponibilizou o aplicativo CBP One, que deve ser usado para marcar uma consulta e demonstrar a necessidade de asilo
Imigrantes esperam para serem
transportados pelos oficiais da Patrulha de Fronteira dos EUA na fronteira dos
EUA com o México em 12 de maio de 2023 em El Paso, Texas. JOHN MOORE / GETTY
IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
O enrijecimento das regras na
fronteira entre México e Estados Unidos começa
a forçar muitos migrantes a optarem por vias legais para migrar. Embora a
medida Título 42 tenha sido invocada para executar 2,8 milhões de expulsões de
migrantes para o México, agora, com a Título 8, que permanece em vigor, eles
ainda podem ser devolvidos para seus países de origem e ficar impedidos de
solicitar asilo. Se forem presos, também estarão proibidos de voltar por um
período de cinco anos e podem ser penalizados. Para tratar da questão, o
governo dos Estados Unidos disponibilizou o aplicativo CBP One, que deve ser
usado para marcar uma consulta e demonstrar a necessidade de asilo. O
aplicativo está sobrecarregado, apesar de Washington ter prometido aumentar o
número de consultas diárias para 1.000.
“A fronteira não está aberta”,
repetem membros da Casa Branca. O ministro das Relações Exteriores do México,
Marcelo Ebrard, afirma que o fluxo de pessoas para a fronteira “está
diminuindo”. “Não tivemos confrontos nem situações de violência”, disse o
chanceler em entrevista coletiva na sexta-feira, em contraste com as previsões
do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre uma
situação “caótica” transitória. A crise migratória é um assunto delicado para o
democrata, que buscará a reeleição em 2024, e um tema de campanha para seus
rivais republicanos.
Bloqueio mexicano
O menor deslocamento de migrantes
coincide com a decisão do México de “não conceder” documentos para transitar
pelo país, segundo Ebrard. Esses papéis permitiam que os migrantes se
deslocassem do sul do México para a fronteira norte. Embora o governo não tenha
especificado quando iniciou a medida, uma colaboradora da AFP no estado de
Chiapas verificou que, na quinta-feira, um centro de emissão desse tipo de documento
foi fechado na cidade de Tapachula, fronteira com a Guatemala. Cerca de mil
pessoas estavam na fila à espera desses papéis, quando foram informadas de que,
de agora em diante, deverão solicitar refúgio, ou recorrer a outros mecanismos
para regular sua estada no México.
Meses atrás, a falta de
documentos tornou Tapachula um gargalo para migrantes de várias nacionalidades.
O governo da Guatemala prevê uma “situação humanitária muito difícil”, pois
terá de oferecer abrigo a pessoas que transitam pelo país enquanto “aguardam
seu procedimento” de asilo, disse na sexta-feira o secretário presidencial de
Comunicação, Kevin López. Entre as vias legais para a migração, também há
programas de reunificação familiar e permissões humanitárias para venezuelanos,
haitianos, nicaraguenses e cubanos.
Em qualquer um desses casos, os
migrantes devem tramitar o pedido antes de chegar aos portos de entrada. As
exceções são poucas, como, por exemplo, se o asilo foi negado em um país pelo
qual passaram a caminho dos Estados Unidos, se não conseguiram usar o
aplicativo CBP One, ou no caso de crianças não acompanhadas. Especialistas
alertam sobre as limitações dessas medidas. “Isso vai violentar ainda
mais o processo migratório, que não vai parar enquanto não houver, nos países expulsores,
condições para isso”, disse à AFP Eduardo González, acadêmico
do Tecnológico de Monterrey. A situação também pode continuar a ser aproveitada
por “coiotes”, ou traficantes de pessoas, que transformaram a migração ilegal
em um negócio milionário. “As soluções mais cruéis produzem desordem e
empoderam os traficantes”, afirmou o presidente do Comitê Internacional de
Resgate, David Miliband, em um comunicado.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!