Em entrevista ao Jornal da Manhã,
da Jovem Pan News, o deputado federal, que foi contra o projeto, analisou a
tramitação da nova regra fiscal e defendeu a manutenção do teto de gastos:
‘Melhor proposta’
A Câmara dos Deputados aprovou
nesta terça-feira, 23, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 93/2023, que
institui o novo
arcabouço fiscal no país. Entre outras coisas, a proposta
substitui o teto de gastos e cria novas regras fiscais para o Brasil. O placar
foi de 372 votos favoráveis, 108 contrários e 1 abstenção. Para falar sobre a
proposta, o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, entrevistou o
deputado federal Luiz
Philippe de Orleans e Bragança (PL), que votou contrário à
proposta. O parlamentar avalia que o volume de votos a favor não diz respeito a
formação de uma base aliada do governo Lula (PT) e defendeu a
manutenção da antiga regra fiscal: “Sem dúvida foi uma vitória do governo,
agora não acho que significa a base do governo (…) Nós já temos a melhor regra
fiscal, que é o teto de gastos. Muitos deles talvez não conheçam a diferença
entre os dois modelos, acho que uma parcela desses deputados foi por aí. Outra
parcela foi por causa dos dirigentes dos partidos que orientaram voto
favorável. Aí vai saber o que foi usado como graxa para aliviar os deputados a
votarem favoráveis. E tiveram aqueles que votaram contra, mesmo dirigidos pelos
partidos. Eles sabem que isso é uma deterioração do nosso sistema fiscal e não
votaram favorável, esses que ficaram firmes na oposição conosco”.
“A proposta do governo estava
muito ruim. O relator Cajado melhorou, ou restringiu, um pouquinho mais a
proposta. Mas ela não substitui o teto de gastos, nós temos a melhor proposta,
que significa o teto de gastos. Por que estamos substituindo? Uma regra que
funciona, dá equilíbrio fiscal, dá toda essa contemplação de, caso tenha que
ter uma quebra do teto colocamos isso a voto no plenário e pronto temos aí uma
acomodação de uma revisão orçamentária. Por que não? Era assim que funcionava
anteriormente. Mas agora não, agora eles vão poder gastar, está quase embutido
no sistema que eles vão gastar mais. Para sanar e equilibrar as contas eles vão
ter que arrecadar mais. O que está garantido aqui não é somente o aumento de
gastos, estamos garantindo o aumento da arrecadação”, argumentou.
Para o deputado paulista, com a
aprovação do arcabouço fiscal é muito provável que a proposta de reforma
tributária promova um aumento dos impostos: “Eles estão dizendo que vão
conseguir aumentar a arrecadação, arrecadando de atividades que hoje eles não
arrecadam. Fica um pouquinho ficticiosa essa proposta, porque eles estão
arrecadando de todos os lados já e acabam sendo punitivas as próximas
arrecadações em, por exemplo agora, investidores internacionais (…) Vai ter que
ter aumento de impostos, de onde vai vir isso? Na minha opinião, é inevitável
que eles vão ter que aumentar imposto sobre consumo, que é o maior contribuidor
para a arrecadação federal e estadual. Também vão revisar a questão do imposto
de renda, vão querer tributar dividendos, tributar altos salários, tributar
herança e tributar grandes fortunas (…) Nós vemos um total despreparo do
governo na questão econômica. Eles não entendem absolutamente nada do que eles
estão fazendo. Só estão tomando medidas destrutivas na economia, no incentivo
ao investimento privado, no incentivo ao empreendedor e àqueles que geram
emprego”.
Questionado sobre a divisão
dentro do Partido
Liberal (PL), que teve sua bancada liberada para votar à favor ou
contra o projeto, Luiz Philippe de Orleans disse que os parlamentares votaram
de acordo com seu “bom senso” e questionou os métodos usados pelo governo para
conseguir tantos votos na Câmara: “Os deputados que estão ali [no PL] não estão
sendo orientados, a não ser pelo seu próprio bom senso. E o bom senso é o bom
senso contábil (…) Estamos agora com um modelo que é ruim para o Brasil. Um
modelo de concentração e centralização de poder, de orientação central e
planejamento central de absolutamente tudo. O Brasil e nenhum país funciona bem
com isso. O PL está votando com seu bom senso e contrário a todas essas
medidas”.
“Depois da votação de ontem eu me
questiono o que foi usado para coagir, cooptar ou convencer os parlamentares.
Se há alguns meses atrás, o teto de gastos, que era a nossa regra atual e era
uma regra positiva, todos viam isso como sendo bom até para o próprio
parlamento, de poder fazer votações toda vez que há uma necessidade de revisão
do teto. O que foi usado para fazer essa mudança de opinião? Tendo em vista que
perderam duas grandes pautas do interesse deles e de repente se reverte agora a
ser uma coisa altamente positiva para o governo. Como foi essa negociação com o
governo e os partidos?”, criticou. Confira a entrevista completa no
vídeo abaixo.
Por Jovem Pan
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