Uma centena de estudantes foram
atendidos nesta terça com dores de cabeça e vômitos
Ao menos uma centena de
estudantes foram atendidos nesta terça-feira, 23, por intoxicação supostamente
relacionada com a contaminação ambiental em Quintero, no Chile, uma cidade costeira
localizada em um cinturão industrial onde as emissões tóxicas são recorrentes e
que é conhecida como a “Chernobyl chilena“. “Ontem todos nós de Quintero
percebemos que o ar estava muito pesado. As equipes de bombeiros começaram a
monitorar o centro e cada vez que se aproximavam do cordão industrial o cheiro
era mais forte”, disse o prefeito de Quintero, Francisco Jeldes. O prefeito da
cidade, localizada na região central de Valparaíso, 110 quilômetros a noroeste
da capital, explicou que foram obrigados a suspender as aulas e que os sintomas
apresentados pelos alunos foram, principalmente, dores de cabeça e vômitos. “Há
mais de um mês anunciamos que íamos entrar em um momento complexo, com pouca
ventilação do ar, e que poderiam ser recorrentes os episódios de má
contaminação”, lamentou Jeldes. A Secretaria Regional Ministerial de Saúde de
Valparaíso (Seremi) informou, por sua vez, que o episódio de contaminação
começou por volta das 23h (hora local) de ontem e decretou um alerta ambiental
por hidrocarbonetos não metálicos suspensos no ar.
O alerta, que afeta os municípios
de Concón, Quintero e Puchuncaví, obriga as indústrias poluidoras a reduzir
suas emissões ambientais e amplia a capacidade de controle das autoridades. A
baía de Quintero-Puchuncaví, conhecida como a “Chernobyl chilena”, abriga uma
dezena de usinas termelétricas, petrolíferas e químicas que deixaram rastros
profundos de contaminação e onde a população sofre recorrentes episódios de
intoxicação. O cordão industrial é uma das cinco “zonas de sacrifício”
existentes no Chile, áreas que foram criadas na década de 1960 para impulsionar
o desenvolvimento econômico do país em detrimento permanente do meio ambiente e
da saúde da população. “Não queremos mais zonas de sacrifício. Hoje existem
centenas de milhares de pessoas vivendo em nosso país expostas à grave
deterioração ambiental que causamos ou permitimos e, como chileno, estou
envergonhado”, disse o presidente do Chile, Gabriel Boric, em
junho do ano passado.
A estatal Codelco, maior empresa
de cobre do mundo, recebeu na semana passada o aval para fechar uma de suas
fundições de cobre na cidade vizinha de Ventanas, altos-fornos que funcionavam
há quase seis décadas e foram responsáveis por episódios anteriores de
contaminação. O fechamento da fundição, aprovado em março pelo Parlamento
chileno, foi uma das grandes promessas de Boric. “O fechamento da fundição
Codelco não nos garante que os episódios de contaminação não continuarão
ocorrendo”, alertou o prefeito de Quintero.
Por Jovem Pan
*Com informações da EFE

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