Desembargadores acataram apelação
da defesa e reviram decisão do juiz Marcelo Bretas
A Justiça Federal no Rio de Janeiro reformou
nesta quarta-feira, 12, sentença do juiz federal Marcelo Bretas e
absolveu o ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão,
das acusações de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e participação
em organização criminosa decorrentes da versão fluminense da Operação Lava Jato.
Bretas, que está afastado do cargo de juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio
por decisão do Conselho Nacional de Justiça, condenou Pezão a 99 anos
de prisão por esses crimes, em 2021. A defesa do ex-governador
recorreu e, em julgamento nesta quarta-feira, a 1ª Turma Especializada do
Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) aceitou os argumentos e reformou
a decisão, livrando Pezão das acusações. A relatora da apelação criminal foi a
desembargadora federal Simone Schreiber, que em seu voto deu provimento apenas
parcial ao recurso de Pezão. O segundo voto coube ao desembargador federal
Antonio Ivan Athie, que aceitou por completo o pedido da defesa do ex-governador.
Ele foi acompanhado pelo desembargador federal Wanderley Sanan Dantas. A
votação foi encerrada com a absolvição de Pezão.
A desembargadora relatora foi
vencida e coube a Athie formular o acórdão. Na apelação, a defesa de Pezão
alegou que a sentença ignorou todos os argumentos fáticos e jurídicos
apresentados pelos advogados. Afirmou ainda que a decisão de Bretas copiou, sem
citar, longos trechos das alegações finais do Ministério Público Federal,
usando-os como base para a fundamentação, o que é proibido pelo Superior
Tribunal de Justiça (STJ). O escritório Mirza & Malan Advogados, que
defende Pezão, divulgou nota em que celebrou a decisão. “Trata-se de decisão
que resgata a dignidade e honra do ex-governador, que teve seu mandato
precocemente interrompido e ficou mais de um ano injustamente preso, com base
em delações mentirosas e ilações do Ministério Público Federal. Ganham a
democracia e o Estado de Direito”, afirma a defesa no texto. Pezão ficou preso
de novembro de 2018 até dezembro de 2019.
Por Jovem Pan
*Com informações do Estadão
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