Em entrevista ao Jornal da Manhã,
da Jovem Pan News, o parlamentar defendeu a retomada da isenção e também
comentou a revisão da política de preços da Petrobras
Segundo o Ministério da Fazenda,
a tributação de PIS/Confis, que voltou a valer desde o dia 1º de março, pode
aumentar o preço do litro da gasolina em até R$ 0,47. Quando considerado o
desconto de R$ 0,13 que a Petrobras cedeu às
refinarias, o aumento é estimado em R$ 0,34. O aumento de preço pode elevar o
custo do litro para o maior nível desde junho de 2022, quando o valor do
produto atingiu R$ 7,59. Para falar sobre a reoneração dos impostos federais
sobre os combustíveis, o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News,
entrevistou o deputado federal Danilo Forte (União
Brasil), que defende a retomada da isenção. Para o parlamentar, é importante
destacar que a reoneração deve afetar a inflação: “A ânsia arrecadatória dos
Estados e do governo é muito grande. Nós tivemos crescimento de arrecadação em
janeiro deste ano superior aos janeiros dos últimos dez anos. A arrecadação
federal e as arrecadações estaduais, no total, estão aumentando. O que a gente
está vendo é exatamente um descontrole (…) Não tem nenhum Estado que tenha
reajustado menos de R$ 1 no preço da gasolina. O preço da gasolina tem toda uma
simbologia cultural no Brasil de gerar inflação. Porque quando aumenta a
gasolina, aumenta tudo em um país de uma logística como a nossa”.
“Diante deste quadro, eu acho que
a gente tem que começar por onde o governo errou, ele errou quando disse que ia
iniciar o ano com a reforma tributária e com a âncora fiscal, para dar
estabilidade e segurança ao país, e mexeu exatamente naquilo que nós inclusive
já tínhamos precificado. Porque nós tínhamos colocado no orçamento desse ano R$
52 bilhões para manter a isenção dos impostos sobre a gasolina, o álcool, o
diesel, o gás de cozinha e o GNV até dezembro. O governo simplesmente ignorou
esse debate no período da PEC da Transição porque queria engordar o caixa.
Agora quer engordar mais ainda, com mais R$ 28 bilhões com essa pretensa
reoneração, que vai aumentar o sofrimento exatamente das famílias brasileiras.
Estão endividados, estão com desemprego crescente, estão com a inflação
corroendo os salários e, ao mesmo tempo, aumentando única e exclusivamente a
ânsia arrecadatória dos Estados e municípios”, defendeu.
O deputado argumenta que já são
cobrados impostos o suficiente, o que pode ser observado pelos recordes de
arrecadação que o governo
federal tem batido. Nesse sentido, Forte defende que reduzir
impostos é importante para redistribuir as riquezas do país: “Isso demonstra
claramente que o país tem uma dinâmica econômica que o que a gente precisa
melhorar é a vida do povo, para que o povo possa pagar as suas contas, para que
o povo possa ir no supermercado comer melhor, comprar seus bens de primeira
necessidade e ter um conforto e dignidade. A lógica que tem que ser entendida é
que baixar imposto também é bom para o povo. Não é só aumentar impostos, é
muito fácil aumentar impostos. O ministro baixa um decreto, o presidente da
República faz uma medida provisória e aumenta o imposto. Só que não estão
entendendo o outro lado, que é o crescimento da pobreza, do endividamento e do
sofrimento das pessoas. O que nós temos que fazer, em um país como o nosso, é
compartilhar um pouco da nossa riqueza. Não adianta nós vivermos em um país
riquíssimo, uma das maiores economias do mundo, e um povo tão sacrificado como
está hoje”.
Para o parlamentar, também seria
importante a Petrobras revisar a política de preços da companhia: “A Petrobras,
além de ter tido uma arrecadação e uma rentabilidade muito grande nos últimos
anos, ela tem um discurso do atual presidente, o ex-senador Jean Paul, de rever
a sua política de preços de paridade do preço internacional. Isso é importante
até para preservar e melhorar as condições dentro do mercado interno. É lógico
que nós também não vamos querer nenhum sacrifício da Petrobras, o que nós
queremos é aumentar a competitividade e dar condição para que a gente possa
inclusive pulverizar os atores dentro da indústria petrolífera. Não adianta
você privatizar as refinarias e controlar o preço da entrega do petróleo. Você
não pode vender o petróleo do pré-sal do Rio de Janeiro para a Bahia no mesmo
preço que vende o petróleo do pré-sal para a Europa ou Estados Unidos. Isso é
errado. Então, tem que ter uma política de preços capaz de atender melhor o
mercado interno. Com isso, você fortalece o mercado interno, estimula a
competitividade, aumentando o número de atores dentro da indústria petrolífera
e com a competitividade você consegue reduzir o preço final”.
“Da forma que está, a Petrobras
está só olhando para si. Ela tem o costume de, quando é bom para ela ser
empresa pública, quando quebrou de 2015 para 2016 (…) quem bancou a recuperação
da Petrobras foi o Tesouro Nacional. Quando ela precisa ser empresa privada,
ela deixa de lado o público e vai para o setor privado aumentar sua
rentabilidade e aumentar seus lucros. Isso também precisa ter uma paridade. É
importante preservar o capital dos acionistas, mas também é importante ter uma
responsabilidade social, até porque a maioria das ações da Petrobras pertence
ao povo brasileiro”, declarou.
Danilo Forte também se pronunciou
sobre a posição de seu partido, o União Brasil, em
relação ao governo e destacou que as indicações dos ministros Juscelino Filho e Daniela Carneiro,
que são deputados da legenda e têm se envolvido em polêmicas
dentro do governo, não foram decididas em nenhum colegiado do partido:
“União Brasil em nenhuma instância coletiva decidiu participar do governo do
presidente Lula. Não teve convenção nacional, não teve reunião de bancada, não
teve reunião da executiva, não tem nenhuma instância coletiva do partido que
tenha decidido participar do governo do presidente Lula. Segundo, foram
escolhidos por alguns interlocutores sem o aval da bancada da Câmara,
principalmente a escolha de dois ministros deputados, o Juscelino e a Daniella.
Foram escolhidos pelo presidente e são membros da bancada. Não significa dizer,
em nenhum momento, que a bancada vai ter apoio incondicional ao governo do
presidente Lula”.
“Dentro desse contexto,
inclusive, botam na nossa conta um ministro que nem filiado ao partido é, que é
o senador Waldez, do PDT, que foi uma indicação pessoal do senador Davi
Alcolumbre (…) Quem escolheu os ministros, que agora respondam pelos ministros
que colocaram no governo e definam o que vão fazer. O que nós vamos fazer é a
discussão de uma pauta (…) Nosso partido precisa ter algum projeto político,
nós éramos um agrupamento de deputados na busca de uma eleição. Nós nos
reelegemos ou nos elegemos, 70% da bancada, ou mais, não votou no presidente
Lula. Não tem sentido agora o partido ir lá e se oferecer para ser da base do
governo. Cabe a nós, como representantes do povo, eleitos pelo povo, discutir
as pautas que o país precisa”, detalhou. Confira a entrevista completa
no vídeo abaixo.
Por Jovem Pan

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