Determinação do ministro do STF
acontece após o senador Alessandro Vieira entrar com um mandado de segurança na
Corte questionando suposta ‘omissão’ do presidente da Câmara
O ministro Kassio Nunes Marques,
do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta
segunda-feira, 20, que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
preste esclarecimentos a respeito da tramitação das medidas provisórias
no Congresso Nacional. “Reputo indispensável a prévia colheita de
esclarecimentos para o adequado e seguro enfrentamento do direito líquido e
certo invocado”, diz Nunes Marques na decisão. O prazo estimulado pelo
magistrado é de 10 dias e acontece após o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE)
entrar com um mandado de segurança na Corte Suprema em razão da demora de Lira
para determinar a volta das comissões mistas para análise das MPs, procedimento
que segue o rito constitucional e foi temporariamente modificado durante o
período da pandemia de Covid-19. Desde fevereiro, o presidente do Congresso,
senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já determinou a volta das comissões, mas
aguarda decisão semelhante de Arthur Lira.
Como
a Jovem Pan antecipou, a resistência do deputado federal com a tramitação
das MPs causa um impasse entre as Casas Legislativas e preocupa o governo. Os
senadores ouvidos pela Jovem Pan afirmam que, com o modelo
atual, em que as medidas provisórias são analisadas primeiro na Câmara e depois
no Senado, os senadores têm pouco tempo para análise das matérias, assumindo a
postura de meros carimbadores das decisões. “No dia a dia, o Senado tem sido
prejudicado com o envio de medidas que estão prestes a prescrever”, resumiu
ao site da Jovem Pan o senador Luis Carlos Heinze (PP-SC),
expondo a problemática situação. Com o embrólio, o governo Lula – que tem 15
MPs na fila para apreciação – adotou a postura de apoiar a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC), de iniaciativa de Lira, para que o modelo de tramitação
seja alterado, adotando uma espécie de revezamento entre as Casas.
No entanto, ainda que Pacheco já
tenha sinalizado que vai ceder, parte dos senadores argumentam que a PEC não
resolve o descumprimento constitucional já em curso. Ou seja, os parlamentares
defendem que, mesmo com a discussão da proposta, o presidente Arthur Lira deve
cumprir a Constituição e liberar a volta imediata das comissões para análise
das MPs. À reportagem, Alessandro Vieira afirmou disse esperar que “a
Constituição seja cumprida” e afirmou que “acordos não superam o descumprimento
da Constituição”. “Impedir a formação de comissão mista e a realização de
debates sobre temas relevantes para o país é mais um ato autoritário e ilegal
de Lira”, acrescentou o senador.
Por Jovem Pan

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