Tremor de magnitude 7,8 deixou
mais de 4.500 mil mortos e 17 mil feridos entre a região turca e a Síria
A baiana Leandra Cristina mora há
dois meses em Adana, cidade no sul da Turquia. A região foi uma
das mais afetadas pelo pelo terremoto
de magnitude 7,8 que deixou mais de 4.500 mil mortos na Turquia e
na Síria. “Eu estava dormindo no quarto com meu esposo e meus filhos estavam
também em suas camas. De repente, eu vi a cama começar a balançar. Como eu
nunca tinha vivenciado um terremoto antes,
achei que eram as crianças que haviam acordado e estavam mexendo na cama para
chamar atenção. Eu voltei a deitar, mas o tremor continuou. Depois, vi as
janelas e as portas tremendo. Eu e meu marido acordamos e nos levantamos. Eu
mantive a calma para passar tranquilidade para meus filhos. Parecia que eu
estava sonhando, que não foi nem real. Começamos a descer as escadas para
debaixo do prédio. Graças a Deus, não houve vítimas nem desmoronamento, por se
tratar de um prédio novo. A maioria dos moradores desceu e ficou dentro dos
carros, pelo menos de 4h às 7h. Depois fui para casa da minha sogra. Logo após,
recebi um anúncio no meu celular que estava vindo outro terremoto de 6.1. Foi
um desespero. Tremeu bastante. Nos abaixamos e tentamos nos manter calmos. Fomos
para o lado de fora e até agora não voltamos para casa. Meu marido, que é
turco, disse que nunca tinha vivido um terremoto em Adana. Foi um fato
inusitado e diferente, que nunca pensei presenciar. Estamos aguardando o
pronunciamento das autoridades para saber os próximos passos. Mas, por
enquanto, estamos todos seguros”, relata.
Já Suellen Kaya mudou-se para a
Turquia há pouco mais de um ano. Casada com um turco e mãe de uma criança de 4
anos, ela também vive em Adana e foi pega de surpresa pelo terremoto. “Às 4h da
manhã, todos dormiam. Acordei com o prédio balançando. Moro no quinto andar de
um prédio de 17 andares. Foi um pesadelo real. Eu dei um pulo da cama e já me
joguei por cima da minha filha para protegê-la. Ela dormia em uma cama ao lado
da minha e lembro que só pedia a Deus para nos ajudar. Realmente pensei que era
o fim, estava certa de que o prédio iria desabar em nossas cabeças. Quando o
tremor parou, pegamos uma coberta para minha filha, a carteira e descemos para
pegar o carro e sair de perto dos prédios. Tudo isso em dois minutos, mais ou
menos. Ficamos cerca de duas horas na rua, mas está muito frio, então é
impossível permanecer lá. Depois fomos para a casa dos avós da minha filha
porque é mais seguro por ser casa térrea. Estamos atentos a qualquer tremor,
preparados para correr para a rua. Todos muito tristes porque muitas pessoas
não sobreviveram. Ainda tem previsão de acontecer mais um terremoto hoje.
Segundo as autoridades, será tão forte quanto o primeiro”, revela. O sentimento
atual de Suellen é de desespero. Apesar de gostar de viver na Turquia, ela
revela que não quer mais permanecer no país após o ocorrido. “Eu preciso voltar
para o meu país. Não sei como, mas vou. Estou desesperada, sem saber o que
fazer e sem poder sair por enquanto. O susto foi absurdamente grande”, afirma.
Suellen e Leandra são duas das
milhares de pessoas impactadas pelo terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o
sudeste da Turquia e o norte da Síria, deixando mais de 4.500 mortos e de 17
mil feridos. O impacto foi tão grande que reverberações foram sentidas na
Groenlândia. O tremor foi sentido às 4h17 do horário local (22h17 de domingo,
no horário de Brasília) e ocorreu a uma profundidade de 17,9 quilômetros, segundo
o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). O epicentro
foi localizado no distrito de Pazarcik, na província de Kahramanmaras, no
sudeste da Turquia, a cerca de 60 km da fronteira com a Síria. Um novo
terremoto de magnitude 7,5 atingiu a região às 13h24 (7h24 no horário de
Brasília), quatro quilômetros a sudeste da cidade de Ekinozu, de acordo com o
USGS. Também houve cerca de 50 tremores secundários. Devido ao horário do
terremoto, de madrugada, a maioria das pessoas estava dormindo em suas casas.
Por Tatyane Mendes

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