Para especialistas ouvidos
pela reportagem, a promessa só será cumprida se houver redução de gastos
públicos
A promessa de campanha do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de isentar
do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
mensais pode não sair do discurso, ao menos até o ano que vem. Em declaração à
imprensa, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse que não
há espaço fiscal para mexer na tabela do Imposto de Renda em 2023.
Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que a proposta
dificilmente será concretizada neste ano e que os impedimentos já eram
conhecidos pela equipe do petista desde a campanha.
Um levantamento feito pelo
economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, usando como base a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), revela que 91% dos
empregados brasileiros ganhavam menos de R$ 5 mil (90,3 milhões) em setembro de
2022. Só 9% recebiam acima desse valor (8,9 milhões), o que mostra o impacto da
promessa feita pelo petista durante a campanha eleitoral.
O doutor em economia Antonio da
Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do
Sul (Farsul), diz que a promessa não é possível de ser realizada no contexto
atual. "Não tem a menor possibilidade do ponto de vista orçamentário. Mas
também não atualizar a tabela, de modo que quem ganha um salário mínimo e meio
pague Imposto de Renda, as duas coisas seriam erradas. E o grande erro, na
minha opinião, não é isentar as pessoas até R$ 5 mil em 2023. Porque não tem
como fazer. O erro foi prometer o que é impossível de ser cumprido — e quem
prometeu, sabia", afirmou.
Para ele, só há duas formas de a
promessa de campanha ser cumprida. "Há uma forma saudável, que é reduzir o
gasto, diminuir o tamanho do Estado, fazer uma reforma administrativa; e outra,
insalubre, é aumentando a dívida pública — dando isenções e ignorando o
resultado fiscal".
De acordo com o professor Cesar
Bergo, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal
(Corecon-DF), os argumentos do governo para não cumprir a promessa não são
novos. "O governo traz desculpas antigas com relação ao óbvio, que é uma
queda na arrecadação, mas também é óbvio que esse aumento da arrecadação em
função do não reajuste da tabela do Imposto de Renda também é indevido. Não
impede o governo de tomar essa decisão, que foi promessa eleitoral",
afirma.
Só no segundo semestre
Nesta terça-feira (17), em painel
do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, disse que o reajuste na tabela do Imposto de Renda só vai ser
apresentada ao Congresso Nacional na segunda metade do ano. "No segundo semestre,
nós queremos votar uma reforma tributária sobre a renda para desonerar as
camadas mais pobres do imposto e onerar quem hoje não paga imposto, muita gente
no Brasil não paga imposto, precisamos reequilibrar o sistema tributário para
melhorar a distribuição de renda."
Confira a tabela atual do
Imposto de Renda:
Quem recebe até R$ 1.903,98 por
mês está isento;
Para ganhos de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 por mês, a alíquota é de 7,5%;
Para ganhos de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 por mês, a alíquiota é de 15%;
Para ganhos de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 por mês, a alíquiota é de
22,5%;
Para ganhos acima de R$ 4.664,68 por mês, a alíquiota é de 27,5%.
De acordo com projeção da
Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco), em 2022 o governo federal
arrecadou R$ 313,49 bilhões com o Imposto de Renda.
Do R7, em Brasília

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