Do total de vítimas, 322
morreram. ‘Sociedade que não garante a vida de seus adolescentes está sujeita
ao fracasso’, diz pesquisador
Balas encontraram os corpos de
500 adolescentes em Pernambuco de 2018 a 2022. As famílias de 322 desses
meninos e meninas entre 12 e 17 anos choraram suas mortes. Os outros 178
ficaram feridos.
Relativos à Grande Recife, os
dados são do Instituto Fogo Cruzado, plataforma dedicada a mapear a violência e
tiroteios em centros urbanos brasileiros.
“Uma sociedade que não consegue
garantir vida aos seus adolescentes está sujeita ao fracasso”, diz Romero
Silva, técnico do Gajop (Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares).
Dois anos atrás, relatório da Rede de Observatórios de Segurança (confira mais
abaixo) apontava o estado pernambucano como o mais perigoso para jovens.
Entre este meio milhar de
vítimas, havia cinco jovens grávidas: três delas morreram, duas se feriram.
O cenário de violência contra
crianças e adolescentes é fruto de uma política ineficaz de segurança pública,
aponta Silva. “Há uma negligência do estado para fortalecer as políticas
públicas que podem enfrentar esta realidade”, prossegue.
Entretanto, a resolução deste
problema não passa somente pelo braço da segurança pública, destaca o
pesquisador: é necessário um conjunto articulado de ações em distintas áreas.
“As políticas de proteção social,
as políticas de direitos humanos, de habitação e de saúde precisam chegar às
comunidades. Para que essa realidade seja enfrentada, elas precisam se
aproximar das famílias, sobretudo as periféricas. Não dá para aceitar números
como esse: pensar que, durante quatro anos, nove adolescentes foram baleados
por mês”, conclui.
Detalhes sobre as vítimas
O Fogo Cruzado também informou
detalhes acerca dos tipos de caso de adolescentes baleados na Grande Recife.
Veja:
- 436 foram baleados em
homicídios e tentativas de homicídios; 303 morreram
- ações policiais deixaram 10 adolescentes mortos e 15 feridos
- 46 foram atingidos dentro de caso; desses, 37 morreram
- 3 foram alvejados dentro do transporte público
- 16 foram vítimas de balas perdidas; 15 se feriram e 1 morreu
- 5 adolescentes grávidas foram baleadas; 3 morreram
- 5 adolescentes foram atingidas em feminicícios ou tentativas de feminicídios;
3 morreram
Vitimização por cidades
Recife é, como esperado, a cidade
onde mais adolescentes foram alvejados no período de pesquisa – de 1º de abril
de 2018 a dezembro de 2022.
Foram 162 vítimas (97 mortos e 65
feridos) na capital pernambucana, seguida por Jaboatão dos Guararapes, com 85
adolescentes baleados (56 mortos e 29 feridos), e Cabo de Santo Agostinho, com
73 (51 mortos e 22 feridos).
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REPRODUÇÃO/FLOURISH STUDIO |
Confira:
Do total dos episódios de
violência, Pernambuco ocupou o terceiro lugar, com 300. No entanto, como possui
uma população expressivamente inferior a São Paulo e Rio de Janeiro,
respectivos primeiros e segundo, o estado pernambucano foi aquele com a maior
taxa proporcional de casos: foram 3,1 para cada 100 mil habitantes.
Em relação aos tipos de registro,
Pernambuco liderou homicídios (165), os único cinco latrocínios e as três
tentativas de feminicídio, além do único feminicídio consumado contra uma menor
de idade no levantamento.
O estado nordestino foi também o
segundo colocado entre as crianças e adolescentes vítimas de balas perdidas,
com 19 casos.
Posicionamento
O R7 procurou o
governo do estado do Pernambuco para se posicionar a respeito da vitimização
dos adolescentes pernambucanos. Até o momento, não houve retorno.
Guilherme Padin, do R7



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