Segundo Adriano Pires, alteração
possibilitaria ao governo controlar impactos para os valores no mercado
interno, bandeira defendida pelo presidente Lula
O governo federal terá que
alterar o estatuto social da Petrobras caso
decida participar das decisões sobre os preços de combustíveis da
petroleira estatal, apontou à Reuters o diretor do Centro
Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. Uma alteração na
política de preços de combustíveis da Petrobras, de modo que o governo possa
controlar impactos para os valores no mercado interno, foi uma das bandeiras
levantadas pelo presidente recém-empossado Luiz Inácio Lula da Silva,
ressaltou o consultor. “Se não for nessa direção, é que será grande surpresa”,
disse Pires, ao ser questionado. “Ele ganhou a eleição, ele decide.” A
Petrobras operava em queda acentuada de cerca de 6% nesta segunda-feira, 2,
após o presidente Lula reforçar sua visão sobre o papel da companhia no
desenvolvimento do país e revogar atos que dão andamento à privatização de uma
série de estatais, entre elas a petrolífera. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
disse nesta segunda-feira, 2, que Lula quer esperar a posse da nova diretoria
da Petrobras para tomar uma decisão sobre combustíveis, após o novo governo ter
prorrogado desoneração de combustíveis por dois meses para gasolina e álcool e
por um ano para diesel, biodiesel e gás de cozinha. O ministro não detalhou, no
entanto, o que precisa ser acertado com a futura nova gestão da petroleira
estatal.”A Petrobras não faz política tributária, quem faz é ele”, disse Pires,
pontuando que hoje a Petrobras precisa respeitar os preços do mercado
internacional. O estatuto social da Petrobras prevê já há alguns anos condições
para que a companhia possa ter suas atividades orientadas pela União de modo a
contribuir para o interesse público. Dentre as exigências atuais, o estatuto
prevê que a companhia deverá ser compensada pelo governo, quando for chamada a
realizar algumas dessas atividades. As regras foram incluídas após a petroleira
ter tido prejuízos bilionários no passado ao ter sido obrigada pelo governo federal
a vender combustíveis abaixo do mercado internacional, em momento em que o país
demandava de amplas importações.Para que haja mudanças no documento, que rege
direitos e deveres da companhia, é preciso que haja uma proposta do Conselho de
Administração em assembleia de acionistas. Tal movimento demanda meses para a
sua execução.
Por Jovem Pan

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