Senador do PSDB falou sobre a
postura do partido no novo governo e comentou a divulgação do relatório das
Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação
Nesta quinta-feira, 10, o Jornal
da Manhã, da Jovem Pan News, entrevistou o senador Alessandro Vieira (PSDB)
para falar sobre o processo de transição para o novo governo Lula (PT) e a
possibilidade de pacificação entre os três poderes na nova gestão. Para o
parlamentar, é importante frear as sucessivas interferências do Supremo Tribunal
Federal (STF) nos outros poderes: “Minha crítica aos excessos é
antiga. Eu apresentei um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes
em abril de 2019, quando aconteceu a instauração desse inquérito que até hoje
persiste e, na minha visão, um inquérito absolutamente ilegal. O que a gente
precisa fazer agora é legislar. A gente tentou ao longo desses quatro anos e
não conseguimos avançar mais por falta de interesse do governo Bolsonaro. Mas é
preciso limitar o alcance das decisões monocráticas, estabelecer o primado do
colegiado e estabelecer com mais clareza limites e requisitos para a
instauração de inquéritos”.
“A gente não pode validar nenhum
tipo de abuso e excesso, isso é perigoso porque, se hoje atende a determinado
grupo político, pode muito bem se virar contra ele mesmo. É possível amadurecer
essa ideia ao longo do ano de 2023 e ter a votação de PECs que façam essas
indicações respeitando a autonomia do Judiciário, mas colocando tudo com mais
transparência e equilíbrio”, defendeu. Vieira destacou que as mudanças precisam
ser pautadas pelo Legislativo para que a tensão com o Judiciário seja
pacificada: Quando a gente vive em um regime democrático existe um primado das
leis, e a interpretação das leis se dá pelo Judiciário. Por mais que eu não
concorde com determinadas decisões, é preciso respeitá-las. O que cabe ao
Legislativo é primeiro identificar excessos e eventuais cometimentos de crimes,
mas ao mesmo tempo fortalecer a legislação para não dar espaço para
determinados arroubos e excessos por parte de ministros. A gente tem que
reconhecer que a inércia do Legislativo tem um papel importante nisso (…) Eu
não posso permitir que um magistrado, unilateralmente, suspenda a vontade de
todo o Congresso Nacional e do Executivo”.
A respeito das eleições, o
parlamentar disse que acredita que o país saiu das urnas “claramente dividido”
e que é importante garantir governabilidade ao presidente eleito para pacificar
as instituições. A respeito da atuação do PSDB no processo de
transição e no próximo governo, Alessandro Vieira declarou que o partido deve
manter uma “postura de independência” e criticou a PEC da Transição:
“A gente vai atuar para dar governabilidade, como sempre teve uma postura muito
séria e serena, mas sem fazer parte do governo e sem aceitar qualquer tipo de
excesso. Particularmente, agora a gente tem um desafio na chamada PEC da
Transição, que a gente vê hoje com um pé atrás porque os valores cada vez mais
se elevam muito além daquilo que efetivamente é necessário para garantir o
compromisso do Auxílio ou do Bolsa Família de R$ 600. A gente não pode começar
o governo já abrindo as portas para o desequilíbrio fiscal. A gente já vem de
uma situação de desequilíbrio, mas é preciso achar um ponto de correção. O PSDB
tem uma atuação importante nesse momento para dar esse ponto de equilíbrio”.
Vieira também comentou a divulgação
do relatório das Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação e
declarou que o assunto tem que ser superado pela sociedade: “Primeiro, é
importante registrar que as Forças Armadas não têm nenhuma atribuição nesse
sentido. Não tem o menor cabimento você ter as Forças Armadas fazendo algum
tipo de avaliação sobre o processo eleitoral, mas, uma vez que isso aconteceu,
o relatório é muito claro no sentido de apontar a conformidade. Ou seja, as
eleições são transparentes e o resultado corresponde à realidade. É preciso
virar essa página e avançar. O Brasil tem problemas gravíssimos, uma crise
econômica contratada, miséria, pobreza e a educação em frangalhos. Não dá pra
perder mais tempo com esse debate estéril sobre as eleições. As eleições já
foram superadas e acredito que todos já reconheceram o resultado”.
Por Jovem Pan

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