Autoridades concluíram que muitos
casos de 'disforia' podem ser apenas uma fase da adolescência
O Serviço Nacional de Saúde (NHS,
na sigla em inglês) do Reino Unido anunciou planos para fazer um controle mais
rígido do tratamento de menores de 18 anos que questionam seu gênero e
pretendem fazer procedimentos de transição de gênero.
A proposta inclui a proibição
total da prescrição de bloqueadores da puberdade e até mesmo da transição
social. Nesse último caso, somente autorizada depois de análise rigorosa e constatação
de que o adolescente está em forte sofrimento emocional. A informação foi
publicada pela imprensa britânica.
Umas das justificativas do NHS é
algo óbvio no processo de amadurecimento humano: que a maioria das crianças que
acreditam ser transgênero está, na verdade, apenas passando por uma fase. Com
isso, o Serviço de Saúde quer evitar o arrependimento e transições inadequadas,
já que os procedimentos envolvem castração e mutilação.
A medida vem depois da
constatação de que houve uma disparada no aumento de casos: entre 2011 e 2012,
foram 250 pedidos de transição de gênero por pessoas menores de 18 anos; entre
2021 e 2022, o número saltou para 5 mil.
Por isso, um estudo de
especialistas do NHS recomenda a proibição de qualquer procedimento físico para
menores de idade, como cirurgias de mudanças de sexo e também o uso de
hormônios bloqueadores de puberdade.
A transição social, quando o
adolescente muda o nome social, também é desaconselhada pelos especialistas,
porque isso não é um “ato neutro”, e pode “ter um impacto psicológico
significativo em um jovem”.
Por isso, somente será permitida
para evitar sofrimento clinicamente significativo e quando o jovem for capaz de
entender completamente as implicações de fazer uma transição social.
Alguns grupos de pais e
profissionais já manifestaram preocupação de que os médicos do NHS tenham
adotado uma abordagem afirmativa no tratamento de crianças, que poderia
encorajá-las a procedimentos de que possam se arrepender mais tarde.
Recentemente, o NHS fechou a
Tavistock, clínica especializada em transição de gênero de crianças. O motivo
foi o relato da adolescente Keira Bell, que se arrependeu da
transição e está voltando ao gênero de nascimento — o feminino.
Ela contou, em seu blog pessoal,
que começou a tomar bloqueadores de puberdade aos 16 anos, aos 17 recebeu
injeções de testosterona e aos 20 fez uma mastectomia para retirar os dois
seios. Ela diz que à medida que amadureceu percebeu que a “disforia de gênero”
era sintoma de sua “infelicidade geral”, e não a causa.
Em razão desse caso, em setembro
de 2020, o NHS encomendou uma revisão independente e abrangente dos serviços de
identidade de gênero para crianças e jovens.
Nos Estados Unidos, o número de
cirurgias de transição de gênero para menores também disparou, crescendo quase
cinco vezes entre 2016 a 2019. Recentemente, a Food and Drug Administration
(FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos do país, informou que o
uso de bloqueadores de puberdade pode causar inchaço cerebral, perda de visão e
sérios riscos para as crianças. Mesmo assim, por lá, o governo ainda segue
incentivando o procedimento.

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