Foram 88 votos a favor e nenhum contra a implementação da lei no país
O governo da Nicarágua aprovou
nesta quinta-feira, 13, uma lei que permite o controle de toda a produção
cinematográfica e audiovisual no país. Foram 88 votos a favor e nenhum contra.
A medida atingirá empresas e autônomos, de acordo com documentos da Câmara.
“Esta lei vem para promover, divulgar e regular as atividades de cinematografia
e arte audiovisual”, afirmou o deputado sandinista Wámaro Gutiérrez. Segundo o
texto, as produções que serão controladas envolvem criação, produção de imagens
em movimento (cinema, vídeo digital ou qualquer outros meios). A justificativa
é de que a iniciativa busca o “resgate, preservação e conservação” da produção
cinematográfica do país e será considerada patrimônio cultural. Para o
parlamentar, a lei é uma forma de fortalecer a Cinemateca Nacional. “Não é
porque tenho celular e faço um vídeo que me torno produtor audiovisual”, disse.
A medida gerou crítica por parte de produtores independentes. Um comunicado
emitido pela classe afirmou que a lei tem caráter de “controle e censura” e a
tratam como “ameaça à liberdade de criação e de expressão cinematográfica”.
O projeto também determina as regras para a produção ser considerada um
filme nacional. De acordo com a lei, o longa precisa ser produzido por pessoa
física ou jurídica e 50% da equipe técnica ou autores precisam ser
nicaraguenses. O idioma utilizado precisa ser o espanhol ou outros falados na
costa do Caribe.
Segundo os parlamentares, o cinema nicaraguense esteve no auge na década de
1980, durante a revolução sandinista. Inclusive, o filme “Alcino e o condor”
foi indicado ao Oscar na
categoria melhor longa estrangeiro, em 1983. As novas regras foram precedidas
pela dissolução da Associação Nicaraguense de Cinema (Anci) em abril. A decisão
foi tomada como parte do cancelamento de mais 2 mil ONGs por ordem do
Parlamento e pelo Ministério do Interior nos últimos quatro anos. De acordo com
informações da AFP, integrantes da antiga Anci, disseram que a exigência já
existia e que se trata de uma oficialização por parte do Legislativo. Na visão
deles, produzir filmes no país “se tornou extremamente difícil”. Deputados
consultados pela agência disseram que a lei não abrange a criação de vídeos
para fins jornalísticos.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP

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